sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A GOTA D'ÁGUA CELESTIAL


Nos primeiros anos da Criação, uma gota d'água celestial pediu e Deus consentiu: ela queria estar junto aos homens. Estava determinada a auxiliar a humanidade em sua caminhada evolutiva e, para tanto, desceria dos páramos siderais e colocar-se-ia a serviço dos seres inteligentes da criação, na Terra.

Assim, ela partiu das mãos do Criador e se incorporou a uma nuvem formada no Céu, que mais tarde se transformou em abundante chuva que caiu sobre a Terra. O aguaceiro formado iniciou sua caminhada, logo se transformando em enfurecida torrente, que rompeu terreno hostil, provocando a abertura de sulcos que mais tarde seriam rios.

Misturada a milhões de gotas d'água terrenas, a missionária foi impulsionada para diante, suportando diversos encontrões em pedras, lajedos, fendas, troncos e raízes de árvores. Sem domínio sobre si, experimentou, pela primeira vez, a dor, o medo e a incerteza. Não imaginava aquela recepção tão rude e desastrosa e, em alguns instantes, sentiu arrependimento, desespero e tristeza.

Por vários dias, a chuvarada caiu sobre a Terra e a gota d'água celeste não teve trégua. Era lançada para lá e para cá, numa convulsão que não cessava. Ferida e cansada, experimentou o remorso, a culpa e o abandono, sentindo-se desprotegida e esquecida. Acabou retida em uma poça que se formou ao longo do caminho. Ali descansou por alguns dias e, aliviada, recompôs-se intimamente.

Logo após, foi ingerida por pequeno animal e, ao circular por seu organismo, foi chamada a servir, misturando-se com substâncias diversas, que nutriam o animal. Agiu com extremada dedicação, renúncia e humildade. Adaptada àquela situação, que para ela representava um longo período, sentiu-se desprezada quando foi abruptamente lançada fora, ao final do processo digestivo do animal.

Chegando ao solo, foi absorvida pela raiz de uma árvore, servindo como condutora da seiva que nutriu a planta. Ao cabo de bom período, ressurgiu para o mundo exterior como produto do orvalho que se depositou em bela flor. Inebriada pelo perfume, experimentou sentimentos nobres como a esperança, a ternura, o carinho e o amor. Reabsorvida pela planta, ingressou, mais tarde, na composição de vigoroso fruto, sendo posteriormente digerida por um ser humano.

Por um período maior, conviveu no interior do organismo do homem, indo se alojar, mais demoradamente, no coração. Ali, partilhou de emoções diversas, que foram de extremado ódio, inveja, maldade, traição, calúnia e ofensa às manifestações de alegria, prazer, felicidade, glória, conquista e realização.

Ao cabo de algum tempo, foi chamada aos Céus. Retomou seu lugar no Reino Celestial. Lá, manteve-se taciturna e reflexiva. De tudo que viu, passou e fez, sentiu nascer dentro de si um sentimento nobre chamado saudade. Já não era a mesma gota d'água de antes. Estava contaminada por sentimentos que são próprios dos homens, e era junto a eles que gostaria de permanecer.

O Criador, sentindo aquela mudança e num ato de amor e reconhecimento, chamou-a e, abençoando-a, disse:

"-
Voltarás e ficarás para sempre junto aos homens. Darás para sempre testemunho do que aprendeste. Serás o anúncio da dor, do medo, da incerteza, do arrependimento, do desespero, da tristeza, do remorso, da culpa, do abandono, da dedicação, da renúncia e da humildade.

Serás a prova da alegria vinda do coração; a companheira dos desprotegidos, esquecidos e desprezados. Serás lenitivo, até mesmo diante do ódio, da inveja, da maldade, da traição, da calúnia e das ofensas.

Serás o grito dos que amam em silêncio; o alento da saudade; o desabafo dos oprimidos; o eco dos perseguidos e o clamor dos injustiçados.

Estarás presente até mesmo na alegria, no prazer, na felicidade, na glória, na conquista e nas realizações nobres alcançadas pelos homens! E, quando quiserem saber quem és, nada dirás. Apenas brotarás dos olhos dos que choram, sob a forma de lágrima".


Do livro: "Histórias que ninguém contou, conselhos que ninguém deu",
de Melcíades José de Brito. Editora DPL.



imagem - centroliterariopiracicaba-clip.blogspot.com

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A ÁGUA E O RIO


Uma criança, sentada numa pedra encravada em pequeno banco de areia, olhava penetrante para a água corrente de um pequeno rio. Seus olhos faiscavam num misto de alegria e admiração, e perguntava-se: para onde vai a água do rio? e de onde ela vem? Pois a criança tinha certeza que a água devia vir de algum lugar, passar pelo lugar que seus olhos podiam apreender, e chegar a algum outro lugar.

Muitas vezes aquela criança voltou ao rio e refez as indagações, mas não obteve resposta.

Anos depois, já adulto, voltou ao mesmo lugar. A paisagem estava intocada e as águas continuavam passeando pelo leito do rio, do mesmo modo que anos antes. E ele lembrou-se de suas perguntas e agora, com o saber adquirido na escola, considerava suas indagações como ingenuidades infantis.

Foi nesse momento que um senhor apareceu, sentou-se naquela mesma pedra de outrora e, dirigindo-lhe a palavra, falou: "Sempre venho a este lugar perguntar ao rio para onde vão suas águas."

Como era isso possível? Então um velho, com pelo menos o dobro de sua idade, não sabia responder a uma pergunta que a ciência de há muito já explicara?

O velho pareceu captar seu pensamento e, sem tirar os olhos do rio, contou: "Na sua idade, pensava ter encontrado a resposta nos estudos feitos na escola, mas a vida, com seu dia-a-dia, me ensinou diversas outras coisas, e compreendi que não basta explicar apenas pelos olhos da matéria, mas que é preciso ir além, sentir que a água é como o caminho da vida, sempre em movimento, e que o rio é a estrada para a perfeição."

Ele não entendeu a fala do senhor e continuou a ver tão somente a água correndo pelo leito do rio.

Novamente o velho o convidou à reflexão: "Não veja apenas a água que corre, sinta a vida que palpita e palmilha a longa estrada do infinito representada pelo leito. As pedras, os gravetos, a vegetação, os peixes representam a diversidade do mundo para sensibilizar todos os nossos sentidos, físicos e espirituais, rumo ao grande rio ou ao mar, ou seja, a essência do existir. Isso a escola não pode ensinar, mas você pode aprender na vida."

O menino agora homem olhou novamente para o rio e no lugar da água correndo observou sua própria existência passando. Isso o deixou assustado no início, mas aos poucos foi se aquietando, até que se viu sentado na pedra. Ele era o mesmo senhor, aquele velho, o seu futuro.

Ninguém deve viver por viver, arrastado pela sociedade, mas deve viver o conhecimento e o amor em plenitude, para elevar a si próprio no bem e elevar também os outros no sentir o próprio eu e a divindade que está em cada um de nós.

A água, que é o homem, vem de Deus e vai para o oceano da perfeição do eu. Esse caminho é feito no leito acolhedor, que é a vida, oferecendo ao homem tudo que ele precisa para seu progresso e elevação.

A perfeição está no conhecimento que cada um faz de si mesmo, e esse conhecimento só é plenamente rico se construído na vivência do amor e das virtudes.

A água corrente de um pequeno rio...nós mesmos no caminho da própria existência, ao encontro com Deus.


Kin Fu


texto - internet

imagem - vivoverde.com.br

domingo, 18 de setembro de 2011

A BUSCA DO TÓ


O carro do Tó pifou enquanto ele passava por um lindo mosteiro.

O Tó bateu à porta do mosteiro.

Um monge atendeu-o, o Tó contou o que se tinha passado com o carro, e o

monge convida-o para passar a noite.

Os monges ofereceram-lhe um ótimo jantar e depois encaminharam-no para

um pequeno quarto, onde ele iria dormir.

O Tó agradeceu e dormiu serenamente até ser acordado por um estranho mas

bonito som.

Na manhã seguinte, enquanto os monges lhe reparavam o carro, o Tó

perguntou que som era aquele que o tinha acordado.

- Lamentamos", disse o monge.

"Não lhe podemos dizer o porquê do som.

Você não é monge."

O Tó ficou desapontado, agradeceu aos monges e foi embora bastante curioso.

Alguns anos mais tarde, o tó passava novamente em frente ao mosteiro.

Parou e foi pedir aos monges se podia passar ali a noite, já que tinha

sido tão bem tratado da última vez que lá estivera.

Os monges concordaram e ele lá ficou.

De madrugada, ele ouve de novo o tal som estranho e lindo.

Na manhã seguinte, pediu aos monges para lhe explicarem o som.

Mas os monges deram-lhe a mesma resposta.

- "Lamentamos. Não lhe podemos falar acerca do som. Você não é monge"

Então a curiosidade transformou-se em obsessão.

Ele decidiu desistir de tudo e tornar-se monge, porque era a única

maneira de desvendar aquele mistério.

Então ele informa os monges da sua decisão e começou a longa e difícil

tarefa de se tornar monge.

17 anos depois, Tó era finalmente um verdadeiro membro da ordem.

Quando a celebração acabou, ele rapidamente dirigiu-se ao líder da

ordem, e perguntou pelo som.

Silenciosamente, o velho monge conduz o Tó a uma enorme porta de madeira.

Abriu a porta com uma chave de ouro; essa porta conduziu a uma 2ª porta,

esta de prata; depois uma 3ª de ouro; e depois a 4ª, de brilhantes; a 5ª

de pérolas; a 6ª de diamantes; a 7ª de safiras; a 8ª de esmeraldas; a 9ª

de rubis; a 10ª, novamente de ouro;a 11ª, novamente de prata; Até que

chegou à 12ª porta, esta de madeira normal.

A cara do Tó encheu-se de lágrimas de alegria assim que viu a origem de

tal lindo e misterioso som que ele ouvira tantas vezes...

Nunca tinha sentido uma coisa assim...

Era uma sensação indiscritivel...

Durante toda a vida dele tinha esperado por aquele momento.


Mas não posso dizer o que era.


VOCÊ TAMBÉM NÃO É MONGE !!!...



Olha a boca !!!....


Reclama não!!!




texto - internet

imagem - portao10.com

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O ZELADOR DA FONTE


Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo conselho municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.

O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca.

Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.

Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.

Rodas d`água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.

As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.

Os anos foram passando. Certo dia, o conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente.

Um dos membros do conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.

De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.

E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.

Seu discurso a todos convenceu. O conselho municipal dispensou o trabalho do zelador.

Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.

Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.

Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte.

Dois dias depois, a água estava escura.

Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens.

O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam.

Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado.

O conselho municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.

Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.

Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d`água voltaram a funcionar.

Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.
* * *
Assim como o conselho municipal da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.

Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas.

Que os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.

Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.

Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.

Mas, sem seu trabalho o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.

O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.

Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.

Dependemos uns dos outros.
Para viver, para trabalhar, para sermos felizes!

Pensemos nisso!

Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. O zelador da fonte, de Charles R. Swindoll, do livro histórias para o coração, de Alice Gray, ed. United Press.



texto - internet
imagem - lunallena.spaceblog.com.br

domingo, 11 de setembro de 2011

ANTES DE JULGARES


Silvana Duboc

Antes de julgares, saiba que teus olhos atentos aos possíveis erros dos outros podem estar cegos diante dos teus.
Antes de julgares, percebe que aquilo que tanto recriminas hoje, talvez precise ser a tua realidade de amanhã.
Antes de julgares, repara que toda história tem duas versões e duas versões são duas verdades.
Antes de julgares, aceita que invariavelmente a uma parte, por menor que seja, de uma história,tu não terás acesso.
Antes de julgares, entende que não serão mil bocas que te esclarecerão qualquer coisa, elas apenas te confundirão.
Antes de julgares, escuta o silêncio, ele costuma fornecer grandes dados.
Antes de julgares, observa os olhos, eles são mais reveladores do que as bocas. Eles deixam provas irrefutáveis da verdade.
Antes de julgares, presta atenção à tua volta. Quantos foram condenados injustamente por mestres em julgamento?
Antes de julgares, lembra que tu mesmo já foste vítima de calúnias e por vezes não tiveste como te defender delas.
Antes de julgares, olha-te no espelho, observa com atenção o teu semblante, pensa na tua vida pregressa e questiona-te se estás em condição de julgar alguém.
Antes de julgares, recorda-te que Cristo foi julgado, condenado e crucificado sem direito à defesa.


texto - internet
imagem - cantinhomeuzinho.blogspot.com

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