domingo, 6 de setembro de 2009

A DOR ALHEIA


Ao voltar de um exaustivo dia de caça, trazendo segura nos
dentes uma pequena corça, a onça encontrou sua toca vazia.
Imaginando que os filhotes estivessem nas imediações, pôs-se a
procurá-los com diligência. Olhou e examinou cada canto, sem encontrá-los.
Preocupada com a demora que se tornava séria, desesperou-se e tomada de pânico
esgoelou-se em urros que encheram de espanto toda a floresta.

Uma anta decidiu
indagar a respeito da ocorrência. Chegando junto da toca, viu a onça desatinada
e então, jeitosamente, procurou saber dela sobre o que estava acontecendo.

- Devoraram-me os filhotes! - gemeu a onça. - Infames caçadores
cometeram friamente o maior de todos os crimes: mataram os meus filhos...

A anta conciliadora, porém franca, não deixou que a oportunidade
se passasse sem que ela dissesse à onça certas verdades que embora dolorosas,
careciam ser ouvidas por ela naquele momento. Então falou-lhe:

- Mas senhora onça, se analisar bem o fato, há de convir que suas
acusações não procedem. Perdoe-me a franqueza, nessa hora de desespero. Respeito
a sua dor, mas devo dizer-lhe que fizeram uma vez aquilo que a senhora pratica todos os dias. Não pode negar que vive sempre a comer os filhotes dos outros,
não é verdade? Ainda agora acabou de abater uma corçazinha...

Tomada de indignação, a onça arregalou os olhos como que
espantada pela coragem e atrevimento da anta, falando com um ódio mortal:

- Oh, estúpida criatura! É isso que você tem a dizer para
consolar o meu coração ferido pela dor? Com que direito você se atreve em
comparar os meus filhos com os filhotes dos outros? E como pode comparar o meu
sofrimento e desolação ao dos demais? É preciso considerar primeiro a minha
posição, em relação à dos outros animais, para depois pesar a situação...

Foi nesse momento que um velho macaco, que bem do alto do seu
galho assistia ao diálogo, falou como quem está revestido de autoridade:

- Amiga onça, é sempre assim: A dor alheia só atinge aos
altruístas, mas jamais ao egoísta...

(Autor desconhecido)
endereço e imagem: internet


6 comentários:

Adelia Ester Maame Zimeo disse...

Os altruístas possuem um canal de sensibilidade aberto a tudo e a todos que os rodeiam. Por isso mesmo, sentem a dor do outro e fazem o possível para minimizá-la, cooperando em todos os aspectos. Já o egoísta, está preso em seu ego e fechado para os outros. Abre-se apenas para receber, não havendo troca alguma. Estes são alguns dos contrapontos da natureza humana Ótimo domingo! Beijo.

Jorge disse...

Seria bom se cada ser humano se analisasse para saber em que lado está, né?

Beijo e um ótimo domingo!!!

Maria José disse...

Jorge. Que fábula incrível. Para mim ela reflete a falta de compaixão, que é colocar-se no lugar do outro. Só quem assume esta postura é quem pode avaliar a dor alheia. Beijos.

Jorge disse...

Concordo com você. Por isso é que o sofrimento surge para mostrar onde o homem está errando.

Com carinho e um ótimo feriado!!

Jeanne disse...

precisamos seguir sempre os ensinamentos do Cristo.
Ele disse tudo, mas parece que ainda não aprendemos a lição.

Jorge disse...

Jesus já tinha nos ensinado que Ele é o caminho, a verdade e a vida. Mas o difícil é realmente aprender a lição.

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