sexta-feira, 1 de abril de 2011

O RAUL


(Texto de Max Gehringer - CBN)

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente.

Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul.

Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.

Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho.

Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim.

Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena.

Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase.

Deu no que deu.

O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas.

No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'.

E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.

Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional.

Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos.

E quem era o chefe do Pena? O Raul.

E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito.

O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação.

Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.

Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.

Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa.

Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.

E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.

O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.

Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul.

E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:...

ELE ENTENDIA DE GENTE!

Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.

E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: “Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo".

Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas.

Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert e todo pintor comum, um gênio.

Essa era a principal competência dele.


'Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes".


texto - internet
imagem - susysouza.blogspot.com

13 comentários:

C. disse...

Que ótimo texto Jorge!
Tem pessoas com esse dom divino de saber lidar com as pessoas, e da forma mais importante que existe, que é tendo empatia, olhando nos olhos, tentando compreender. O resto é resto.

# Beijinhos, um belo dia!

soniaconslt disse...

Este abalou!!!
Precisamos de mais Raul's pelo mundo!
Um bom dia Jorge

ValériaC disse...

Fantástico sempre, Gehringer.
É... cada qual com seus talentos... isto nos mostra no quanto as aparências podem enganar.
Meu querido amigo, tenha um feliz fds...beijos
Valéria

Jeanne disse...

Muito bom o texto, todos devemos ler com atenção porque este talento do Raul é bem difícil e nem todos possuem, mas podemos desenvolver para tornar a vida melhor...
Beijos

Maria Luiza Silveira Teles disse...

Jorge:
Se sou seu anjo, vc é meu mestre. Já conhecia o texto, mas foi muito bem lembrado. O mais importante na vida, além do auto-conhecimento é conecer gente, saber lidar com elas e respeitá-las. A vida é interessante: no começo a gente faz o caminho para fora e quando vai amadurecendo faz o caminho de volta para si, para dentro, onde está o espírito imortal.
Bjs,
Maria Luiza

Estrela disse...

Onde andam os Rauls?

palavrasdeumnovomundo disse...

Como sempre uma excelente escolha para postagem. O texto é ótimo, mas na realidade o que vemos são muitos Rauls oportunistas.
Gostaria de conhecer mais Rauls como esse do Gehringer.
Abraço e ótimo fim de semana.
Rosa

Vinicius.C disse...

Muito bom Jorge!!

Eu conheço pessoas que nao fazem nada para ser, elas simplesmente são!

Um forte abraço amigo e um ótimo fds!

Nos encontramos no Alma.

Vini

mentoresdeluz.blogspot.com disse...

Lindo texto jorge,pessoas como o Raul
existem poucas mas sabem fazer a diferença sem ter a pretenção propria mente dita ,são espiritos que nascem
crescem e desenvolven-se,na humildade
abençoando a vida eo trabalho dos outros com um respeito e solidariedade,que so eles o possuem
são seres previlegiados,com a luz de Deus,um abraço cheio de amor e paz
marlene

Lena disse...

Oi, Jorge
O que as pssoas precisam saber é que as empresas e instituições estão dando cada vez mais valor à competência humana, do bom relacionamento interpessoal, ou seja, o emocional se sobressaindo sobre a técnica. Muito bom e atual o tema!
Bjs. e ótimo fimde semana!

ⓣⓔⓡⓔⓢⓐ ⓒⓡⓘⓢⓣⓘⓝⓐ disse...

Oiee!!
Fantástico texto!!
Não basta saber somente fazer este ou aquele papel dentro da empresa....tem q ter poder de argumentação, perspicácia e objetividade...
bjs♥....obg pelas palavras de amizade e carinho

aikatherine disse...

Se on parasta ihmisessä kun hän ymmärtää ihmistä.
Siinä rukouksen voimassa elän ja toivon että kaiken kovan maailman kokemusten jälkeen tulisi vihdoin suuri ymmärryksen aika.
mutta voi kun se ymmärrys loppuu jo lähi piirissä, se on vain vaikeaa ihmiselle, pitää ottaa kaikki pois, kuin raamatun Jobilta, ja vain usko jää. jos sitten herää ihminen itsekkyyden jumaloimisestaan

Marcia disse...

Saber valorizar o talento do outro, de fato, nao é qualquer um que o faz... As vezes, até pelo orgulho, alguns preferem calar, a incentivar outrem que se esforca.
Beijos e uma feliz semana!

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