segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CONSTRUÇÃO

Gosto demais do Fabricio Carpinejar, de quem tenho o privilégio de ser amiga. E é para prestigiá-lo que abro essa crônica com uma citação extraída da ótima entrevista que eledeu para a revista Joyce Pascowitch: “O início da paixão é estratosférico, as pessoas não param quietas exibindo tudo que podem fazer. Depois passam a confessar o que realmente querem. A paixão é mentir tudo o que você não é. O amor é começar a dizer a verdade”.

É mais ou menos isso. No começo, a sedução é despudorada, inclui, não diria mentiras, mas um esforço de conquista, uma demonstração quase acrobática de entusiasmo, necessidade de estar sempre junto, de falarem-se várias vezes por dia, de transar dia sim, outro também. A paixão nos aparta da realidade, é um período em que criamos um universo paralelo, é uma festa a dois em que, lógico, há sustos, brigas, desacordos, mas tudo na tentativa de se preparar para algo muito maior. O amor.

É aí que a cobra fuma. A paixão é para todos, o amor é para poucos.

Paixão é estágio, amor é profissionalização. Paixão é para ser sentida; o amor, além de ser sentido, precisa ser pensado. Por isso tem menos prestígio que a paixão, pois parece burocrático, um sentimento adulto demais, e quem quer deixar de ser adolescente?

A paixão não dura, só o amor pode ser eterno. Claro que alguns casais conseguem atingir o Éden – amarem-se apaixonadamente a vida inteira, sem distinção das duas “eras” sentimentais. Mas, para a maioria, chega o momento em que o êxtase dá lugar a uma relação mais calma, menos tórrida, quando as fantasias são substituídas pela realidade: afinal, o que se construiu durante aquele frenesi do início? Uma estrutura sólida ou um castelo de areia?

Quando a paixão e o sexo perdem a intensidade é que aparecem os pilares que sustentam a história – caso existam. O que alicerça de fato um relacionamento são as afinidades (não podem ser raras), as visões de mundo (não podem ser radicalmente opostas), a cumplicidade (o entendimento tem que ser quase telepático), a parceria (dois solitários não formam um casal), a alegria do compartilhamento (um não pode ser o inferno do outro), a admiração mútua (críticas não podem ser mais frequentes que elogios), e principalmente, a amizade (sem boas conversas, não há futuro). Compatibilidade plena é delírio, não existe, mas o amor requer ao menos uns 65% de consistência, senão o castelo vem abaixo.

O grande desafio dos casais é quando começa a migração do namoro para algo mais perene, que não precisa ser oficializado ou ter a obrigação de durar para sempre, mas que não pode continuar sendofrágil. Claro que todos querem se apaixonar, não há momento da vida mais vibrante. Mas que as “mentirinhas” sedutoras do início tenham a sorte de evoluir até se transformarem em verdades inabaláveis.

Martha Medeiros

Publicado no jornal Zero Hora
Caderno Donna, 10/06/12, p. 30
Porto Alegre (RS)


imagem - natanaeloliveira.com.br

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O PAÍS QUE EU QUERO


Foi num dia 7 de setembro, no século XIX. A História encheu de magia o gesto espontâneo de um imperador amante do Brasil.

E Laços fora! E Independência ou morte! são frases repetidas, dramatizadas, recordadas a cada novo Sete de Setembro.

Desfiles militares, hasteamento da bandeira, execução do hino nacional se sucedem em rememoração à Independência do Brasil.

Olhando para as ruas do meu país, nesse festejar de 190 anos de independência, me surpreendo com os desejos de minha alma patriota.

Da alma que assiste o pavilhão nacional tremular ao vento, mostrando as cores vibrantes que falam de verdura, riqueza, um céu de estrelas, ordem e progresso.

Quero um país independente, uma nação livre. Livre da corrupção, da desonestidade e do compadrio.

Livre das drogas, das armas de guerra e dos discursos vazios, da violência de todas as cores.

Quero um país onde as crianças possam sair à rua, para suas brincadeiras, sem medo de seqüestros.

Possam ir à praia, ao campo, jogar futebol na quadra da esquina, sem que tenham de se esquivar de balas perdidas.

Eu quero um país onde se respeite o idoso, não porque ele não tenha a destreza da juventude, mas porque nele se reconheça a experiência dos anos vividos e das contribuições à sociedade por largos anos de trabalho.

Eu quero um país sem medo do amanhã. Um país que tenha os olhos no futuro e, por isso, invista na formação do cidadão.

Um país com escolas, bibliotecas e museus, franqueadas a todos.

Um país que preze seu passado e nunca esqueça dos seus heróis.

Dos heróis que defenderam suas fronteiras, com armas, com leis, com a vida e com a voz. Dos heróis de todos os dias, de todas as raças, que deixaram seu torrão natal e adotaram uma nova pátria.

Dos heróis que suaram sangue, trabalharam duro, desbravaram matas, criaram filhos.

Dos heróis que a História venera. Dos heróis que deram sua vida pelo ideal de uma nação sem escravidão. Uma nação de irmãos.

Eu quero um país responsável, onde os governantes sejam conscientes de seus deveres.

E onde o povo eleja seus representantes, não iludidos por promessas utópicas, mas porque conhecem a vida honrada do candidato e suas propostas maduras, coerentes, viáveis de aplicação a curto, médio e longo prazos.

Eu quero um país justo, que ampare a quem trabalhe, não àquele que somente sabe enumerar pretensos direitos.

Um país que proteja seus filhos, preserve suas riquezas, distribua seus bens.

Um país de paz. Um país de luz.

O país que eu quero não é irreal, nem impossível.

Ele somente depende de mim, de você, de cada um dos seus mais de 180 milhões de habitantes.

*  *  *

Pensemos nisso, hoje, agora, enquanto os versos do hino pátrio nos exortam a agradecer a Deus por um país tão vasto, tão rico, tão maravilhosamente pleno de belezas naturais e oportunidades de progresso.


Redação do Momento Espírita.

Em 05.09.2008


imagem - blog.cancaonova.com

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PRATIQUE O DESAPEGO, DÊ ESPAÇO AO NOVO

Pratique o desapego, dê espaço ao novo

Descubra como melhorar o dia a dia se livrando de roupas, livros, artesanatos e outros acessórios que perderam a utilidade com o tempo.
É sempre difícil se desfazer de roupas, livros, artesanato e outras peças que a gente guarda com tanto carinho, mas que perderam a utilidade faz tempo. Talvez valha a pena tentar: essa pode ser uma atitude importante para dar espaço a coisas e a emoções diferentes na sua vida, permitindo que novos obejtos possam aparecer. Jogar peças velhas fora ou doá-las também surte um óbvio resultado prático: conseguimos nos organizar melhor. Quando acumulamos menos papéis no escritório, por exemplo, torna-se mais fácil encontrar aquele telefone de que precisamos com urgência. No entanto, às vezes nos satisfazemos em colher apenas esses benefícios práticos e não damos continuidade ao processo de mudança interior. Veja algumas dicas que podem te ajudar a se desfazer de coisas acumuladas e que não tem mais serventia:

1. Comece a organizar as coisas acumuladas que não usa mais em caixas ou pastas menores. Com o tempo, o volume será tamanho que você será obrigada a se desfazer dos objetos.
2. Separe tudo que você não utiliza há mais de seis meses e questione-se sobre a real necessidade dessas peças. Se não tiver mais serventia, se desfaça.
3. Se você não quer jogar fora, doe. Talvez aquela roupa ou objeto pessoal que você não gosta mais tenha serventia para outras pessoas.
4. Caso não tenha coragem para se desfazer dos objetos, peça ajuda. Deixe separadas aquelas coisas que você não usa mais e indique um amigo ou familiar para de um fim por você.
5. Não quer dar? Então venda. Procure por brechós ou sites de vendas on-line, além de se desfazer daquela peça antiga que não usa mais, ainda pode faturar um troquinho.

Fique atento: guardar itens inúteis como restos de caixas de comida, objetos quebrados ou lixo pode ser sintoma de doença. Trata-se do Distúrbio Obsessivo-Compulsivo (DOC), problema que atinge três em cada 100 indivíduos e precisa de tratamento psicológico.

Fonte: Revista Claudia


imagem - bemviverapometria.wordpress.com

sábado, 30 de junho de 2012

ABRIR OU FECHAR PORTAS?

Com certeza prefiro abri-las!
Abrir as portas da alma,
abrir as portas do sorriso,
abrir as portas do coração,
abrir as portas do amor,
abrir as portas da paixão,
abrir as portas do eu,
abrir passagem para que a vida flua!

Nunca gostei de fechar portas!
Fechando as portas da alma,
posso deixar Deus para fora!
Fechando as portas do sorriso,
posso perder um amigo!
Fechando as portas do coração,
posso me tornar inacessível!
Fechando as portas do amor,
posso não mais encontrar o caminho para
outro amor!
Fechando as portas para a paixão,
fecharei a luz que alimenta a vida!

Fechando as portas do eu,
corro o risco de me trancar do lado de fora!
Fechando as passagens,
a vida se encerra na amargura;
porque ao fechar tantas portas nós nos
fechamos também!
Por isso creio em portas abertas,
em sentimentos alados,
que voam como as andorinhas
para outras paragens quando o inverno
lhes é rigoroso!
Sempre em nossas vidas teremos a vontade
de virar a página de fechar a porta,
porém o que foi escrito
continuará escrito e mesmo de porta fechada
nós sabemos o que se esconde por trás dela!
Concordo que as portas
foram feitas para serem abertas
e fechadas ao nosso bel querer ou prazer,
porém as portas da vida não,
porque a partir do momento em que foram abertas
nunca mais serão as mesmas,
mesmo fechadas,
pois sentimentos não se apagam,
não se escondem, não se esquecem!
Daí eu crer em transpor os portais,
porém nunca fechar as portas,
virar a página,
mas sempre na certeza de que nunca as apagarei,
seja da memória, do peito ou da vida!

Renovar é preciso, mas sem perder o prumo,
o ponto de partida,
pois afinal cada fato de nossas vidas,
de bem ou de mal,
é um degrau que subimos em busca do aperfeiçoamento do
ser e da plena liberdade.

* Santaroza *


Texto - internet
imagem - rascunhosdemomentos.blogspot.com

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O RISO É PERIGOSO

 Clarice Lispector beliscava sua amiga Lygia Fagundes Telles quando entravam juntas num encontro literário:

– Não ri, vai! Séria, cara de viúva.

– Por quê? – perguntava Lygia.

– Para que valorizem o nosso trabalho.

Não há mesmo imagem de alguma risada da escritora Clarice Lispector. Em livros e revistas, a cena que persiste é seu olhar desafiador, emoldurado por um rosto anguloso, compenetrado e enigmático. Os lábios não se mexem, absolutamente contraídos, envelopes fechados para a posteridade.

Lispector não mostrava suas obturações, sua arcada para ninguém. Não se permitia gargalhadas para não parecer mulher superficial e leviana.

Ela percebeu que existe um imenso preconceito contra a alegria. Os críticos não a levariam a sério, dizendo que ela não era densa, não inspirava profundidade; acabariam por sobrepor a aparência faceira aos questionamentos metafísicos de sua obra.

Seu medo não era bobo. O riso permanece perigoso. Todos temem os contentes. Falam mal dos contentes.

O riso gera inveja, ciúme, intriga: “Por que está feliz, e eu não?”.

A alegria é malvista em casa e no trabalho, sempre intrusa, sempre suspeita equivocada de uma ironia ou de um sentimento de superioridade.

Ainda acreditamos que profissionalismo é feição fechada, casmurra. Ainda deduzimos que competência é baixar a cabeça e não entregar nossas emoções.

Quanto mais triste, mais confiável. Quanto mais calado, mais concentrado. O que é um tremendo engano.

A criatividade chama a brincadeira, assim como a risada renova a disposição.

Se um funcionário ri no ambiente profissional, o chefe deduz que ele está vadiando, sem nada para fazer. Poderá receber reprimenda pública e o dobro de tarefas. Quem diz que ele não está somente satisfeito com os resultados?

Se sua companhia ri durante a transa, você conclui que está debochando do seu desempenho. Quem diz que não é o contrário, que ela não festeja o próprio prazer?

Se a criança ri no meio da aula, o professor compreende como provocação e pede para que cale a boca. Quem diz que ela não está comemorando algum aprendizado tardio?

Se o filho ri quando os pais descrevem dificuldades profissionais, a atitude é reduzida a um grave desrespeito. Quem diz que ele não achou graça do tom repetitivo das histórias?

Se a esposa ou marido ri e suspira à toa, já tememos infidelidade.

O riso é escravo dos costumes, sinônimo de futilidade e distração quando deveria ser visto como sinal de maturidade e envolvimento afetivo.

Não reagimos bem à felicidade do outro simplesmente porque ela ameaça nossa tristeza.



AUTORIA:  FABRÍCIO CARPINEJAR


texto - internet
imagem - correianeles.com

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