domingo, 10 de maio de 2009

AO LONGE, AO LUAR


Ao longe, ao luar,
No rio uma vela
Serena a passar,
Que é que me revela?


Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.


Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.


Fernando Pessoa - Cancioneiro



Imagem: Internet

3 comentários:

Jeanne disse...

Fernando Pessoa é único, consegue como ninguém penetrar a essência humana ao desvendar sentimentos e emoções.
Beijos

Adelia Ester disse...

Que ser profundo, ele é! Faz-me associar com o trecho da letra da música que está em meu blog: "é de dentro do peito que a nave sai. É de dentro da gente que a nau inaudita. Habita, repousa, amor e hidrogênio
Silêncio, saudade, soluço, selênio
A nau permanece mesmo quando vai"... Ótimo início de semana, Jorge! Beijos.

Blogat disse...

Lindo!Sereno.Pessoa.

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