Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SOMOS FIÉIS A NÓS MESMOS?


Trocamos a cor dos cabelos,
damos-lhes o melhor corte,
e às vezes somos tão resistentes
em trocar alguns pensamentos,
sem notar o quanto nos enfeiam.

Colocamos óculos elegantes,
lentes coloridas,
mas nem sempre pomos no olhar
um brilho de alegria de viver.

Fazemos plástica, esticamos a pele,
verdadeiros malabarismos para
um rosto mais "bonito"
e quase nunca lembramos

de que uma expressão serena
garantiria mais de meio caminho andado.

Tratamos os dentes,
"compramos" sorriso,
mas bem raramente
sorrimos espontaneamente
como o homem simples e sem dentes
ou a novinha criança.

Fazemos musculação,
"correção" de seios,
mas com que pouca freqüência
mostramos os reais sentimentos
que levamos no peito!

Obedecemos a rígidas dietas
para ganhar ou perder peso,
para sermos mais "elegantes",
mas não questionamos
se somos uma presença
leve e agradável.

Baixamos o guarda roupa,
compramos roupas novas,
buscamos andar na moda,
mas não nos desfazemos
de alguns hábitos,
costumes e crenças antigas
que nada somam ao presente.

Vamos para outra casa,
renovamos a mobília,
trocamos de carro,
mas resistimos a mudar por dentro,
não tiramos o que está "velho",
não damos novas direções
ao nosso mundo interior.

Mudamos nossas relações,
trocamos de amigos
e queremos que os amigos mudem
para satisfazer nossas necessidades.

Assim prosseguimos
perdendo pessoas
que poderiam ser
bênçãos em nossas vidas.

Não estará na hora
de mudarmos a nós mesmos,
mais profundamente,
mais amorosamente,
e colhermos de graça
frutos de sabedoria
que existem à nossa disposição?

Que grande aventura
será mudarmos um pouco por dentro
toda vez que mexermos no lado de fora!

O Universo sempre apoia
cada mudança bem feita.

Será um novo desafio
a cada novo dia!


Desconheço o autor


texto - internet

imagem - mulheradventista.com

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

TRANSFERÊNCIAS


Vivemos num mundo de transferências,
se pudermos,
transferimos nossos problemas,
arrumamos culpados pelo nosso fracasso,
transferimos nossa felicidade
para outras mãos,
nos transformamos em vítima
na primeira dor.

E é difícil não ser assim,
porque viver e assumir riscos
é complicado,
é preciso mais do que coragem,
é preciso amar-se de verdade.

Eis ai a chave para a sua libertação:
Goste-se!
Sinta prazer de estar em sua companhia!
Saiba de cor e salteado às
suas qualidades,
ressalte seus dons, seja sábio:
ouça mais do que fala,
não se compare com ninguém,
tenha metas arrojadas,
tenha em mente o que deseja.

Preste atenção em você, no seu corpo,
cuide dos seus pensamentos,
cuide do seu nível de amor.

Respeite-se!

Tudo começa e termina em você.
Por isso, comemore-se!
Vibre com cada pequena conquista
e não desista de tentar,
quantas vezes a vida pedir,
diga: presente!
Diga bem alto para a felicidade:
"eu estou aqui!"

Sabedoria é seguir tentando,
com respeito, humildade e paz,
sabendo-se merecedor,
a vida te reconhecerá assim.




sábado, 7 de agosto de 2010

GENGIS KHAN


Aí está ele, passando revista às tropas
Com a sua armadura reluzente.
Os seus pés levantam ondas de poeira
E ninguém ousa fitá-lo de frente.

Na sua couraça quebram-se as lanças inimigas
E um gesto seu põe em fuga um exército inteiro
… mas não pode dobrar-se para apanhar uma flor
nem coçar as costas, o poderoso cavaleiro.

Álvaro Magalhães O reino perdido, 2000


texto - http://contadoresdestorias.wordpress.com

imagem - felipenanni.blogspot.com

segunda-feira, 26 de abril de 2010

HOJE ME DEI CONTA


Hoje me dei conta de que as pessoas
vivem a esperar por algo
E quando surge uma oportunidade
Se dizem confusas e despreparadas,
sentem que não merecem,
Que o tempo certo ainda não chegou,

E a vida passa e os momentos se acumulam
Como papéis sobre uma mesa.
Estamos nos preparando para qualquer coisa
Mas ainda não aprendemos a viver,
A arriscar por aquilo que queremos,
A sentir aquilo que sonhamos.

E assim adiamos nossos dias
E nossas vidas por tempo indeterminado
Até que a vida se encarregue de decidir
por nós mesmos,
E percebemos o quanto perdemos
E o tanto que poderíamos ter evitado.

Fernando Pessoa


endereço e imagem: internet

domingo, 20 de dezembro de 2009

HOJE ME DEI CONTA


Hoje me dei conta de que as pessoas
vivem a esperar por algo
E quando surge uma oportunidade
Se dizem confusas e despreparadas,
sentem que não merecem,
Que o tempo certo ainda não chegou,

E a vida passa e os momentos se acumulam
Como papéis sobre uma mesa.
Estamos nos preparando para qualquer coisa
Mas ainda não aprendemos a viver,
A arriscar por aquilo que queremos,
A sentir aquilo que sonhamos.

E assim adiamos nossos dias
E nossas vidas por tempo indeterminado
Até que a vida se encarregue de decidir
por nós mesmos,
E percebemos o quanto perdemos
E o tanto que poderíamos ter evitado.

Fernando Pessoa


endereço e imagem - internet

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ANÁLISE


Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

Fernando Pessoa, 12-1911


endereço: http://www.insite.com.br/art/pessoa/cancioneiro/51.html
imagem: internet

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A VERDADE


A porta da verdade estava aberta,

mas só deixava passar

meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,

porque a meia pessoa que entrava

só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade

voltava igualmente com meio perfil.

E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.

Chegaram a um lugar luminoso

onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em duas metades,

diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.

As duas eram totalmente belas.

Mas carecia optar. Cada um optou conforme

seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


Carlos Drumond de Andrade


endereço: http://www.geocities.com/seijirovix/TextosparaRefletir/averdade.html

imagem: http://www.quaseumdiario.wordpress.com


quinta-feira, 18 de junho de 2009

O HOMEM, AS VIAGENS



O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua
Lua humanizada: tão igual à Terra
o homem chateia-se na Lua
Vamos para Marte, ordena à suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
humaniza Marte com engenho e arte
Marte humanizado, que lugar quadrado
vamos a outra parte?
Claro diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos à Vênus
o homem põe o pé em Vênus,
Vê o visto, é isto?
Idem
Idem
Idem
O homem funde a cuca se não for à Júpiter
proclamar justiça com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório
Outros planetas restam para outras colônias.
o espaço todo vira Terra-a-terra.
o homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para te ver?
Não vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol
põe o pé e:
Mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a colonizar.
ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si mesmo a si mesmo:
por o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.


(Carlos Drummond de Andrade)



imagem: Internet

sábado, 6 de junho de 2009

EROS E PSIQUE


Conta a lenda que dormia
uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Fernando Pessoa

endereço: http://textos_legais.sites.uol.com.br/eros_e_psique.htm
imagem: Internet



SELO VIOLETA






Recebi este selo da Adélia, do Blog: http://shekynah.blog.uol.com.br/,
a quem agradeço por esta lembrança tão carinhosa.


Este selo/prêmio representa as "sensações que a cor violeta traz para a nossa mente". É atribuído a blogues que nos lembram algumas das sensações da cor Violeta: magia, encantamento, graciosidade, magnetismo e tudo aquilo que parece mágico.


Então, repasso-o para :
- Um pouco de tudo;
- Um velho conhecido

domingo, 10 de maio de 2009

AO LONGE, AO LUAR


Ao longe, ao luar,
No rio uma vela
Serena a passar,
Que é que me revela?


Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.


Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.


Fernando Pessoa - Cancioneiro



Imagem: Internet

quinta-feira, 26 de março de 2009

FERNANDO PESSOA


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que soque não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails