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domingo, 17 de maio de 2009

ANSEIOS DA CIÊNCIA


O grande impulso da ciência foi dado pela civilização ocidental, no último século do 2.° milênio d.C. A posição material muito contribuiu para estudos e análises dos fenômenos; realmente houve uma pesquisa reducionista, de perto observando a matéria. Entretanto, com o apuro científico, se foi observando que, além da matéria existia algo mais como que completando o fenômeno. Assim, projetou-se o dualismo (matéria e espírito) como elementos separados, correspondendo a seus próprios parâmetros.
Nos dias atuais o dualismo, bastante difundido no ocidente, não está satisfazendo os porquês que, aqui e ali, a ciência vai exigindo. Muitos fenômenos tem mostrado e como que revelando a impossibilidade de dissociação desses elementos (matéria e espírito) isto é, a necessidade da existência de um campo específico orientando e motivando a zona material, pertencentes à mesma fonte criadora. Assim vicejou a idéia monística, que já vem de longa data fazendo parte dos pensamentos orientais.
Devido as exigências do dualismo, com acendrada pesquisa reduclonlsta, existe um real cansaço no pensamento ocidental, que se acentua pela insistente idéia de que as leis e a fenomenologia mais avançada serão reveladas na exclusiva pesquisa material. Por isso, algumas correntes de pensamento entendem que há necessidade do ocidente lançar as suas sondas para o oriente monístico, a fim de colher idéias e modelos psicológicos intuitivos. Tais modelos já foram bem ventilados, na antiga Grécia, por Pitágoras, Sócrates, Platão e muitos outros, inclusive Heráclito, cujos trabalhos filosóficos foram propostos e sedimentados numa posição de unicidade, onde as forças opostas da vida estariam subordinadas ao equilíbrio do Logos; isto é, Heráclito percebeu a necessidade de existência de um elemento orientador de características psicológicas nos campos da vida.
O sentido dualista, no século XVII, tomou posição com Descartes que Ihe deu reinado no cenário da vida. Já era coisa boa, porquanto nesta época falava-se, acatava-se e defendia-se exclusivamente a posição espiritual com forte teor de misticismo. Entretanto, a ciência, com a visão mecanicista do universo, avançou com as elaborações de Isaac Newton, que praticamente dominou a ciência por todo século XIX e metade do século XX. De meados do século XX para cá houve um chamamento de unicidade, fazendo ressaltar no estofo científico a necessidade do pensamento monístico como uma das fontes promissoras do conhecimento.
A ciência, com suas novas exigências, está procurando seguir o caminho unicista, embora, aqui e ali, com seu racional sempre alerta, afasta-se um pouco do processo intuitivo. Esses dois modelos, o racional e o intuitivo, são úteis e necessários. Utilizar uma única trilha é bem difícil, pela exigência de adequação calcada na seleção de experiências. O modelo racional limita-se a um fato separado dos demais; no modelo intuitivo a visão é de conjunto. Neste último, o freio da consciência está quase sempre presente por não conseguir acompanhar o processo de largos horizontes, propiciando, muitas vezes, perda de contato.
Acreditamos no campo científico, na unificação do racional com o intuitivo como uma real exigência da evolução do pensamento, isto é, do psiquismo humano. O exagero de apreciação, tanto no modelo reducionista quanto o intuitivo, nos levam a extremos desconfortáveis. Foi o que aconteceu com muitos grupos humanos orientais que se hipertrofiaram em conduta mística sem os devidos suportes. Por sua vez, o ocidente se foi afogando no excesso de endeusamento das técnicas materiais.
Grande parte do oriente e ocidente estão desejosos de encontrarem o ponto de equilíbrio, buscando a unidade. A fim de que haja crescimento de nossa civilização, terá de haver unicidade em todas as proposições, onde o ideal como fonte criativa será a bandeira do entendimento.
A física moderna, com suas pesquisas, chegou à conclusão de muitos conceitos orientalistas pregressos, embora reveIados de modo simbólico. O que observamos, com nossos padrões científicos, nas coisas, não é o próprio território e sim pequenas partes de seu mapa, onde os conceitos serão compreensivelmente limitados e longe da realidade. Bem claro que os nossos métodos e modelos científicos são importantes para focalizarmos a pesquisa, embora não representem a trilha definitiva. Assim é que a criação do conceito espaço-tempo, na teoria da relatividade, foi a grande viga mestra científica dos tempos atuais na elucidação de muitos porquês. Certas escolas orientais não dão importância que os ocidentais possuem sobre as figuras geométricas representativas dos campos materiais; eles estão mais ligados nas razões do espaço-tempo refletindo verdadeiros e autênticos "estados particulares de consciência", donde ressaltam inusitadas percepções. As experiências meditativas do oriental, atingindo estados dimensionais diversos, de acordo com a evolução que cada qual possui, assemelha-se, até certo grau, às razões da física moderna (F. Capra).
Os campos dimensionais atômicos, mostrando-se às expensas das partículas que lhes definem a natureza, seriam sustentados por desconhecidos campos dimensionais, refletindo-se em variadas e infinitas modalidades de vida. Cada dimensão refletiria o seu próprio modo de vida, sustentado por campos mais avançados, em cadeia, cujos dinamismos seriam acolitados pela essência divina—a reflexão do Deus Imanente—, onde seu ponto de irradiação-impulsão estaria no Infinito—o Deus Transcendente.
A vida não representa posição estática como algo, um ponto ou uma coisa a ser avaliada; é um estado de contínua mutação dinâmica. Nada se encontra parado. As interações são imensas dando origem aos fenômenos que não são objetos ou pontos, mas um movimento contínuo que tentamos pará-lo para entendê-lo como alguma coisa.
A realidade última, que se perde fenomenicamente em manifestações diversas, é bem especificada no mundo oriental. Está representada pela palavra Brahman que é vida e dinamismo; está nos Upanishads, aquilo que se move e não tem forma. Os budistas referem-se a Dharmakaya (o corpo do ser) como sendo a qüididade; na China o Tao dos taoístas possui a mesma representação.
Dentro do mundo do átomo, onde vários modelos estão sempre em constantes mutações, a teoria da relatividade e dos quanta ainda representam conceitos valorosos e mesmo bases para muitas avaliações. Um modelo unicista tentando fornecer um pensamento de totalidade, como se fora um legítimo holismo, ainda está sendo muito questionado, apesar dos trabalhos realizados pelo grande físico Stephen Hawking. Uma coisa, entretanto, que vem da filosofia oriental a esbarrar na ciência dos nossos dias, como autêntico valor, é a inclusão da consciência humana como elemento essencial de adequação nas futuras teorias do mundo atômico; isto é, a influência do pensamento humano no mundo da matéria e das energias, de modo a participarem de um bloco de equilíbrio.
Visão de tal quilate só poderá ser abordada intuitivamente. A análise intelectual não possui lastros para esse entendimento por ter limites avaliativos. A física moderna ainda não conseguiu unificar a teoria quântica com a teoria geral da relatividade numa teoria quântica da gravidade, embora seja esse o caminho na opinião dos físicos teóricos de maior credibilidade.
A teoria quântica procura demonstrar o teor dinâmico, por excelência, das partículas atômicas traduzindo interconexões, onde estará presente e incluída a consciência humana do observador. O tecido cósmico é complexo e ainda pouco compreendido, embora o físico Geoffrey Chew, com seus modelos, esteja tentando uma posição que traduza o interrelacionamento dos eventos dinâmicos, onde uma parte qualquer seja o resultado do todo. Assim, não existem elementos fundamentais, sendo a estrutura da rede o intercâmbio coerente das inter-relações no campo ultramicroscópico do átomo. Logo, as partículas não representam elementos separados, mas ajustados padrões de energias em constante processamento dinâmico.
David Bohm criou a idéia de holomovimento, onde o todo pode ser encontrado numa das partes, embora sem detalhes; tudo isso, ligado a uma ordem que denominou de "ordem implícita", e que poderíamos denominá-la de "ordem espiritual" na intimidade dos fenômenos. Estes se organizam e se mostram diante a imposição do comando espiritual na estruturação dos elementos.
Muitos físicos e ainda poucos biologistas estão buscando e caminhando para o Espírito; aqueles por serem ambiciosos em seus vôos científicos, estes pela prudência e respeito às regras oficiais. A futura ciência estará intimamente relacionada ao Espírito, porquanto os fenômenos e fatos, sem exceção, estarão banhados e envolvidos em suas irradiações. O impulso espiritual funcionaria como estrutura organizadora; devido ser esta tão ajustada e seguindo caminhos bem adequados, mostrando ordem inteligente, propiciou a idéia dos físicos de considerarem o Universo como um "pensamento organizado". É como se existisse uma incontável cadeia PSI (degraus evolutivos), subordinada ao grande PSI Divino, caminhando sem cessar em busca do Infinito...


Dr. Jorge Andréa

Fonte: Busca do Campo Espiritual pela Ciência – Jorge Andréa dos Santos.


terça-feira, 28 de abril de 2009

FENÔMENOS PSICO-FÍSICOS DE NATUREZA ESPIRITUAL


A doutrina espírita contém em seus fundamentos uma série de informações que nos permitem identificar uma classe especial de fenômenos que sugerimos tratar-se de fenômenos “psico-físicos de natureza espiritual”. Correspondem ao processo de atuação da alma no corpo físico.
É muito fácil reconhecermos os fenômenos da realidade física e da esfera psicológica que fazem parte de toda nossa vida. Queremos, no entanto, pôr em destaque, uma outra classe de fenômenos que só a atuação do Espírito é capaz de explicar.
No mundo físico conhecemos a natureza da matéria e os processos que regem seu movimento e suas combinações.
No mundo psicológico identificamos os mecanismos inconscientes que impõem nossos comportamentos e aprisionam nossos desejos.
No domínio espiritual a literatura, especialmente de Kardec, André Luiz e Emmanuel, já nos indicaram mecanismos interessantes que atuam na interface corpo/alma.
O paradigma atual da Medicina, embora tenha esclarecido grande parte da anatomia e da fisiologia do organismo humano, não tem abrangência suficiente para perceber ou interpretar o complexo mecanismo de atuação do Espírito sobre o corpo. Essa será, possivelmente, a maior descoberta da Ciência.
Um modelo interessante para exemplificar a extensão dessa dificuldade é visto na glândula pineal. Conhecemos sua anatomia minúscula, sua relação com os ritmos biológicos, sua sensibilidade à luz, sua precária ligação com o cérebro, sua produção química modesta e sua expressão clínica pouco significativa.
É por isso que causaram surpresa os relatos que nos chegaram da espiritualidade, apontando expressivas atividades da glândula pineal, que ultrapassam o que até hoje fomos capazes de constatar com nossos estudos macro ou microscópicos.
Precisamos deixar claro que o que enxergamos “do lado de cá”, é apenas a expressão anátomo-funcional da glândula. Por não termos os instrumentos de acesso ao mundo espiritual, não sabemos como é que se processa sua atividade na interação cérebro/mente.
Podemos identificar as células da pineal e sua microestrutura, registrarmos suas trocas metabólicas, identificarmos as secreções dos humores e a transmissão dos influxos nervosos. Entretanto, no domínio da atividade espiritual, os possíveis componentes e como atuam, são ainda indetectáveis pelos nossos instrumentos. Extrapolar nosso conhecimento “daqui para lá” ainda permanece no campo da metafísica.
Não seria prudente imaginarmos que “por aqui” poderemos um dia conhecer toda extensão desse fenômeno que chamamos de “psico-físico de natureza espiritual”. Pressupondo, de antemão, que “do lado de lá” a dinâmica espiritual do fenômeno é muito mais ampla e significativa do que nossa anatomia pode registrar.
Aprendemos com a doutrina espírita que existem três elementos fundamentais que direcionam a fisiologia dos processos orgânicos que nos condicionam a vida: o Espírito, o perispírito e os fluidos que intermedeiam a intercessão corpo/alma.
Parece-nos ser desnecessário anotar os detalhes já bem conhecidos dos três. Os livros básicos da Doutrina são suficientes. Nosso propósito será o de apontar alguns fenômenos que nos parecem ilustrativos para a apresentação da fisiologia metafísica que estamos interessados em estudar.
§ § A fixação do pensamento
§ § A coesão da população celular
§ § Os Centros de força
§ § A corrente sangüínea e a energia vital
§ § A glândula pineal e sua fisiologia espiritual
§ § A ectoplasmia
§ § A respiração restauradora
Nossa sugestão é que fenômenos desse tipo sejam rotulados de “fenômenos espírito-somáticos” . Seu estudo abrange uma grade de fenômenos que pode nos levar conhecer leis gerais da fisiologia que integra o corpo à alma.


A fixação do pensamento


A neurofisiologia sugere que o pensamento é um processo contínuo que se expressa na atividade dos neurônios do cérebro. Nossas idéias nascem a partir de estímulos externos que atingem os órgãos dos sentidos ou por mecanismos internos de percepção e memórias acumuladas no decorrer da vida.
O neurônio foi identificado como célula fundamental a partir do momento que técnicas de coloração permitiram o reconhecimento da sua estrutura. Quando Camillo Golgi em 1873 usou uma tintura de prata para corar o cérebro, foi possível perceber que alguns neurônios se impregnavam com essa coloração revelando o corpo celular e seus prolongamentos, inaugurando, a partir daí, uma revolução extraordinária no conhecimento do cérebro.
Nessa mesma época (final do século XIX), Franz Nissl, consegui corar os neurônios com o violeta de cresil, descobrindo no citoplasma o amontoado de uma substância de aparência “tigróide” que ficou conhecida como “corpúsculos de Nissl”. Os estudos atuais revelaram que esses corpúsculos correspondem a uma estrutura membranosa denominada Retículo Endoplasmático Rugoso que tem a função de construir proteínas dentro dos neurônios. Algumas dessas proteínas farão parte das membranas celulares e outras participarão de enzimas que atuam na produção de nurotransmissores.
A membrana que reveste os neurônios é formada por duas camadas de uma substância gordurosa fosfolipídica. Essa camada é impermeável, isolando o conteúdo interno dos neurônios dos fluidos extracelulares. Ela é, porém, interrompida por “portões” de proteínas que constroem os canais que permeabilizam as membranas. É através desses canais de constituição protéica que entram ou saem íons e substâncias que afetam a atividade dos neurônios (sódio, potássio, cálcio, neurotransmissores, tranqüilizantes, antidepressivos e drogas como a cocaína, para citar exemplos mais conhecidos) .
Por outro lado, as enzimas são indispensáveis para a produção dos neurotransmissores que realizam toda transmissão da informação entre os neurônios.
Pode-se depreender que os corpúsculos de Nissl, estando diretamente ligados a produção de proteínas, exercem um papel fundamental na fisiologia cerebral.
André Luiz, em psicografia de 1958 (Evolução em dois Mundos), destacou a importância dos corpúsculos de Nissl ensinando que aí a mente fixa seus propósitos transmitindo pelo pensamento as idéias que o Espírito projeta no cérebro. A partir das percepções dos sentidos, o Espírito renova suas idéias, projeta na rede de neurônios sua energia que resulta em pensamentos capazes de se adequarem no cérebro, produzindo nossos atos.
Um neurônio, em constante atividade, vai expandindo suas sinapses fixando o aprendizado que a experiência vai lhe fornecendo. Em cada sinapse se ajustam os canais de transporte químico fundamentais a troca de informações entre os neurônios. Tanto esses canais, como os neurotransmissores, são construídos a partir de proteínas montadas, principalmente, dentro dos corpúsculos de Nissl. Portanto, afirmar que o Espírito exerce atuação direta nos corpúsculos de Nissl, como ensinou André Luiz, nos permite supor que é o Espírito que em última análise constrói o tipo de neurônios que estrutura o cérebro de cada um de nós.

A coesão da população celular


O organismo humano é formado por mais de 300 trilhões de células em constante renovação. Os diversos órgãos que o compõem, se estruturam em diferentes camadas de tecidos que reúnem células típicas e variadas. Temos em nosso corpo para mais de 250 tipos diferentes de células, incluindo os neurônios, as células da glia que sustentam o cérebro, os hepatócitos, as células musculares, as gordurosas, as epiteliais que revestem a pele e assim por diante.
A Ciência atribui ao programa impresso no genoma todo esse projeto de distribuição e organização do gigantesco universo celular que constrói nosso corpo. Falta-nos, entretanto, uma teoria adequada ao gigantismo dessa tarefa, já que, só de neurônios temos dezenas de tipos morfológicos, num total de 100 bilhões de células, exigindo conexões sinápticas que ultrapassam a trilhões de ligações absolutamente precisas. Precisamos lembrar que no útero materno o embrião constrói 250 mil neurônios por minuto. Torna-se uma tarefa espantosa para os poucos 33 mil genes que trazemos como patrimônio genético.
A doutrina espírita ensina que o molde que nos estrutura o corpo físico é função do perispírito que nos ajusta ao mundo espiritual. Estão nesse perispírito todos os traços que identificam nosso mundo mental. Entretanto, a feição física que aparentamos e os estigmas de doenças nos marcam não se reproduzem como uma cópia fotográfica fiel do nosso perispírito. As pessoas de aparência simples mas de Espírito nobre irradiam uma tessitura espiritual que se sobressai diante das imagens de beleza que a mídia costuma dar destaque, especialmente para o corpo feminino. A presença de deformidades físicas está ligada aos nossos méritos e necessidades, adequadas aos débitos pretéritos que acumulamos, mais do que a aparência do perispírito. Nem sempre os aleijões acompanharão o Espírito após a desencarnação.
Allan Kardec sugere que o conhecimento do perispírito tem muito a colaborar com a Medicina para esclarecimento de nossas doenças. Mas recorremos de novo a André Luiz para nos surpreender com suas revelações. Ele ensina que pela atuação de nossa mente, mantemos coesas as trilhões de células que compõem o nosso corpo. Essa atividade dá às nossas atitudes uma responsabilidade enorme no compromisso que temos em zelar pelo nosso equilíbrio físico. Porém, as surpresas não param por aqui. André Luiz afirma que cada uma dessas células é um universo microscópico onde estagia o princípio inteligente, constituindo cada célula que abrigamos em nosso corpo uma unidade com individualidade própria, sobre as quais temos imensa responsabilidade de sustentar e conservar. São “almas” irmãs, que em estágio primitivo, percorrem conosco as lutas da vida física, emprestando ao Espírito humano a dádiva do seu metabolismo.


Os centros de força


A cultura milenar do oriente registra em seus livros sagrados a existência de centros de força, ou chacras, de localização constante no corpo espiritual de todos nós. Eles se localizam no cérebro e em plexos distribuídos pelo nosso corpo nas regiões da laringe, do estômago, do baço, do plexo celíaco relacionado com o trato digestivo e região genital.
São em número de dois no cérebro, o chacra cerebral localizado na região frontal e o chacra coronário nas regiões centrais do cérebro.
Os lobos frontais passaram por um processo extraordinário de expansão quando se iniciou a evolução do ser humano na Terra. O lobo frontal é a região que mais nos distingue do cérebro de um chimpanzé. Estão relacionados com nossos pensamentos abstratos, com nossa capacidade de classificar os objetos, de organizar nossos atos e programar nosso futuro. Sem o lobo frontal o homem se torna irresponsável, perde a capacidade de organizar as coisas num ambiente, deixa de se preocupar com os outros, pode se tornar jocoso e não percebe a gravidade da situação em que vive. É o lobo frontal o que mais nos torna humanos.
André Luiz nos diz que o chacra cerebral, de localização frontal, nos permite estar em união com as esferas mais altas que direcionam nossos destinos na Terra. Através da oração, projetando a súplica piedosa ou o agradecimento sincero, mantemos contato com os seres sublimes que nos orientam e protegem.
Na região coronária podemos apontar três níveis estratificados anatomicamente. O córtex, os núcleos da base e o diencéfalo. O córtex cerebral da região coronária se relaciona com a atividade motora que nos facilita os movimentos voluntários. Nos núcleos basais (tálamo, putamem, globo pálido e caudado) são organizados nossos movimentos automáticos, que nos permitem realizar a respiração, a deglutição, a mastigação e a marcha, para citar exemplos fáceis de compreendermos. E, finalmente, o diencéfalo reúne um agrupamento de células que desempenham papel importantíssimo no controle de nossas funções metabólicas, intimamente associadas a nossa sobrevivência. No hipotálamo, que compõe parte importante do diencéfalo, são produzidas dezenas de substâncias que controlam a atividade das nossas glândulas, funcionando como estimuladores da produção de hormônios na hipófise, na tireóide, na supra-renal, nos ovários e nos testículos entre tantas outras glândulas.
André Luiz ensina que no chacra coronário estão situadas as forças que mantém em equilíbrio a atividade dos trilhões de células que obedecem nosso comando mental, mantendo a forma e as funções do nosso corpo físico.
Os milhares de anos que nos separam do espiritualismo oriental não trouxeram maiores esclarecimentos à ciência médica, que não consegue identificar em seus fundamentos qualquer sinal da existência dos chacras. Mesmo assim, convém considerarmos alguma hipótese para tentarmos relacionar os chacras com a atividade cerebral. É clássico estudarmos o cérebro em seu aspectos modulares destacando as funções motoras, sensoriais, linguagem, memória, calculo, emoções entre tantos outros. Essas atividades são processadas por circuitos limitados a uma determinada área cerebral. Existe, porém, um outro arranjo funcional que a neurologia destaca como um conjunto de agrupamentos neurais que exercem sua ação de modo difuso, incluindo múltiplas vias neurais e suas áreas de repercussão. É o caso, por exemplo, dos sistemas de ativação ascendente que tem a propriedade de nos manter alertas ou em pleno sono.
De maneira simplificada, podemos considerar pelo menos três sistemas de atuação global, habitualmente rotulados de “sistemas modulatórios de projeção difusa”. O sistema hipotálamo-secretor, o sistema neurovegetativo e, o sistema de relação com neurotransmissores como o dopaminérgico, o seratoninérgico e o noradrenérgico, estando os três fortemente relacionados com transtornos mentais diversos. São eles que, nesse artigo, queremos sugerir, com hipótese, estarem relacionados com os chacras cerebral e coronário.
Considerando os chacras que se expressam no cérebro, podemos notar sua coincidência com os “sistemas de atuação difusa”. No chacra frontal, predomina o sistema dopaminérgico responsável pela expressão do pensamento abstrato e insersão na realidade física. Doenças como a epilepsia e as demências frontais levam a uma deteriorização da mente desses pacientes que se tornam completamente dissociados do mundo físico em que vivemos. Na região do chacra coronário, vimos o significado do controle endócrino realizado pelo eixo diencéfalo-hipofisário. Essa atividade glandular orquestrada é indispensável para a manutenção do nosso metabolismo, sem o qual a vida nos seria impossível.


A Corrente Sanguínea e a Energia Vital


É muito fácil de se aceitar a idéia de que nossa vida está intimamente ligada ao coração. Aristóteles afirmava que a Alma aí se localiza porque qualquer ferimento nele leva imediatamente à morte.
Nos dias de hoje, alunos do primário já aprendem que os batimentos do coração impulsionam o sangue pelas aterias, que depois se difundem pelos capilares e retorna pelas veias. Nesse retorno o sangue passa pelos pulmões de onde retira o oxigênio que a respiração fornece. Temos cerca de seis litros de sangue circulando pelo nosso corpo e mais ou menos vinte por cento dele vai para o cérebro. Enquanto entra pelas artérias e sai pelas veias, o sangue circula dentro do cérebro em exatos seis segundos.
Assim que ocorre a morte, as artérias do cadáver estão vazias, já que a última batida impulsiona todo sangue para as veias. Essa observação levou Galeno a sugerir que as artérias estariam sempre cheias de ar. Ele propunha, também, que circula junto com o sangue um elemento imaterial que denominou pneuma vital. Esse fluido nasce no coração, distribui-se pelo corpo e, se transforma no pneuma animal ao atingir o cérebro, nos permitindo perceber o mundo pelos sentidos e a reagir com os nossos movimentos aos seus estímulos. A idéia de um “espírito animal” produzindo nossos reflexos, foi também adotada por René Descartes e por Thomas Willians, tendo aceitação médica por muitos séculos. Para Willians, os corpúsculos do “espírito animal”, percorreriam os nervos para pôr em ação os nossos movimentos.
Nos dias de hoje, sabemos da importância da circulação sanguínea distribuindo por todo organismo não só o oxigênio que nos sustenta a vida mas um número insuspeitável de substâncias ligadas à manutenção do metabolismo celular e de todo sistema imunológico.
André Luiz nos traz conhecimentos novos nessa área também. Diz o conhecido Espírito que junto com a circulação sanguínea circula o “princípio vital” indispensável à sustentação da vida. Ensina Kardec que é o princípio vital quem dá vida à matéria orgânica. Cada um de nós o tem disponível enquanto encarnados, consumindo nossa cota com o decorrer dos anos. Ele procede do “fluido cósmico universal” que nos abastece conforme nossas atitudes nos compromissos da vida. A meditação, a prece e o impulso que nos predispõe a amar ao próximo, fornecem a substância e a renovação do princípio vital. Ele nos penetra pela respiração, o que nos faz lembrar um dos mais belos versos da Bíblia – E Deus fez o Homem do barro da Terra e soprou em suas narinas o sopro da vida.
Anaxágoras considerava que o ar era a substância primitiva de onde procede tudo que existe. A relação do ar com a vida sempre foi aceita em muitas culturas. Nos livros de Galeno, as expressões espíritos e pneumas (ar) são equivalentes.
Aprendemos com André Luiz que o princípio vital é absorvido pela respiração e percorre todo organismo acompanhando a circulação do sangue.


A Glândula Pineal e sua fisiologia espiritual


Essa glândula situada no meio do cérebro já é conhecida há mais de dois mil anos e, mesmo assim, o que sabemos sobre ela é tão pouco que, nos tratados clássicos da neurologia, ela ainda não despertou interesse para merecer mais que citações curtas de algumas linhas sobre o hormônio que ela secreta - a melatonina.
A pineal é o relógio biológico que sinaliza um dos momentos mais importantes da vida, o despontar da sexualidade. Por ocasião da adolescência a pineal reduz a produção da melatonina ocorrendo, a partir daí, o desenvolvimento dos órgãos externos ligados a atividade sexual.
Até hoje é possível de se perceber, em determinados animais, que a pineal pode se comportar funcionalmente como um terceiro olho. Nesses animais a pineal está situada acima do crânio funcionando a modo de um periscópio que exerce um papel de vigilância para o animal. Não se deve estranhar, portanto, a forte sensibilidade que a nossa pineal tem para com a luz. A entrada da luz, que atinge a pineal pelas fibras nervosas que nosso nervo óptico conduz, reduz a produção de melatonina. No ambiente escuro, aumenta acentuadamente a produção do hormônio. Todos sabemos que os ursos hibernam em cavernas durante meses de escuridão e, nessa ocasião, o aumento da melatonina produz o entorpecimento do seu interesse sexual, que depois volta a se revelar no alvorecer da primavera.
O hormônio da pineal tem ligação direta com o depósito de melanina na nossa pele. Ele tem um efeito clareador diminuindo a pigmentação da pele. Isso justifica, por exemplo, a cor esbranquiçada dos bagres que vivem nas profundezas de águas escuras.
A melatonina tem sido utilizada como tranqüilizante produzindo relaxamento e sonolência. Foi experimentada também no tratamento de dores de cabeça e de epilepsia, mas em todos esses quadros o efeito da melatonina é muito pobre.
André Luiz, através de Chico Xavier, trouxe-nos informações inéditas e surpreendentes sobre o papel da pineal quando observada a partir do plano espiritual.
Sensível às irradiações eletromagnéticas, nossa pineal é sintonizador dos fenômenos de comunicação mental, mantendo-nos em permanente ligação com todos aqueles que compartilham conosco a mesma faixa de vibração.
Nos processos mediúnicos, a aproximação espiritual se vale da pineal para difundir sua mensagem até as diversas áreas cerebrais que ressoam sua transmissão.
Nas encarnações, que a misericórdia divina nos permitiu transitar pela Terra, nos enredamos em situações onde tivemos oportunidade de cultivar relações afetivas profundas, ao mesmo tempo em que fomentamos rivalidades e discórdias das mais variadas conseqüências. Como a Lei divina não exclui ninguém dos reajustes necessários, será através da pineal que iremos encontrar, mais cedo ou mais tarde, aqueles mesmos amores sinceros que nos incentivarão a progredir e os inimigos do passado que nos exigirão saldar as dívidas e os compromissos.
Entretanto, por mais que a anatomia cerebral possa nos revelar, não reconhecemos nas vias que emergem da pineal qualquer indicação dessa extraordinária participação da glândula em nossa vida mental. Como explicar, em vista disso, o que nos esclarece André Luiz? Pressuponho que será necessário conhecermos qual é o mecanismo de atuação do Espírito sobre o cérebro. Daí, nosso propósito de reunirmos esse conjunto de fenômenos que sugerimos sejam tratados de fenômenos “espírito-somático”.
No quadro dessa notória “fisiologia espiritual” que André Luiz dá destaque, creio que a chave para sua compreensão está na participação do chamado “fluido universal”, tão conhecido no meio espírita.
Ensinam os Espíritos que elaboraram a doutrina com Allan Kardec que os fluidos servem de veículos para a transmissão do pensamento. Derivado do fluido cósmico universal, ele inunda o Universo, nos envolvendo a todos, nos permitindo compartilhar do “Hálito Divino” que nos alimenta.
Na vida física, atuamos pelas vias nervosas que nos estrutura os neurônios, suas imensas redes de comunicação e sua extraordinária química que sintetiza e conjuga os neurotransmissores. Na dimensão espiritual estaremos usando esse elemento sutil, fluídico, que obedece a vontade que a mente direciona, permitindo-nos criar através da fisiologia espiritual uma dispersão muito mais ampla nos seus efeitos fisiológicos.
Quando Louis Pasteur, descortinou o imenso campo da microbiologia, esse conhecimento novo nos permitiu esclarecer a dinâmica da etiologia das doenças infecciosas. A descoberta do DNA abriu novas áreas para esclarecimento das chamadas doenças de origem genética. Entretanto, o estudo dos fluidos e suas propriedades poderá nos revelar uma nova fisiologia e, como conseqüência, as doenças que seus desvios provocam. A presença desses fluidos, está intimamente relacionada com nosso padrão de atividade mental. A literatura espírita é farta em afirmar que, todos nós, somos expressão da vida mental que nós mesmos escolhemos construir e refletimos em nossa aparência a composição fluídica que selecionamos.
Os desequilíbrios mentais, que a neurobiologia de hoje entende como decorrentes das alterações em neurotransmissores, com certeza, iniciam sua perturbação a partir dos fluidos que permitimos nossa mente projetar no cérebro, desviando a química que nos preside o equilíbrio do pensamento.


A Ectoplasmia


A partir dos fenômenos das mesas girantes, a mediunidade proporcionou aos pesquisadores do século XIX uma imensa variedade de manifestações físicas, entre elas a materializações de entidades espirituais. Nessa fenomenologia é mobilizada uma grande quantidade de ectoplasma permitindo o estudo da sua elaboração e constituição química. Todos os que estão presentes no ambiente da experimentação estarão doando uma cota maior ou menor de fluidos mas é do médium que sae, por todos seus poros e orifícios de excreção, o material mais ou menos denso que permitirá a presença das silhuetas que se corporificarão no ambiente onde o público aguarda.
No âmbito do estudo que estamos abordando, interessa anotar que o conteúdo bioquímico do ectoplasma procede na esfera física, do citoplasma das células do aparelho mediúnico. Em conjugação com os fluidos dos dois planos da vida é que o fenômeno adquire as propriedades de transição que permitem aos espíritos adentrarem a nossa dimensão.


A Respiração restauradora


O ar, como fonte insubstituível de vida, é percepção do senso comum a qualquer de nós. O ato de respirar está intimamente ligado a nossa sobrevivência. Anaxágoras atribuía ao ar a origem de tudo. A Bíblia registra que recebemos a vida a partir do sopro de Deus. Nos textos de Galeno, como já notamos, as expressões espírito e pneuma (ar) eram equivalentes. Para ele o pneuma vital era absorvido pelos pulmões e circulava do coração até ao cérebro para nos manter vivos. Na cultura oriental os exercícios respiratórios têm indicação mais importante que a atividade muscular.
Um dos fundamentos da doutrina espírita é de que a vida decorre da presença do principio vital que vivifica a matéria orgânica dando-lhe a propriedades de reagir.
A atividade constante dos nossos órgãos se faz as custas desse princípio vital e seu esgotamento leva o corpo a morte. Por outro lado, nossa atividade mental nos permite absorver da espiritualidade os fluidos que agregam elementos para sustentação do principio vital. Mais atividade corresponde a mais vida, tanto do ponto de vista físico como espiritual.
André Luiz nos aponta em seus textos que a respiração é porta de entrada restauradora para a realimentação de nossas energias vitais.

Prof. Dr. Nubor Orlando Facure

imagem: Internet

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

DEPRESSÃO, DOENÇA DA ALMA

A depressão é uma doença tão antiga quanto o próprio homem. Nascida nas profundezas da alma, pode-se dizer que a depressão nasceu quando o homem experimentou a dúvida, o medo e o vazio existencial causado pela perda do paraíso. Entre os vários relatos bíblicos de personagens que em algum momento sofreram de depressão, encontraremos em Jô um dos exemplos mais clássicos. No capítulo 3, versículos 20 a 22, podemos ler: “porque se dá luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo, que esperam a morte, e ela não vem; e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos; que de alegria saltam, e exultam, achando a sepultura”.
Entre os apóstolos de Jesus, Pedro e Judas experimentaram a depressão em circunstâncias distintas e com repercussões diferentes. Ao longo da história muitos foram aqueles que sofreram com a depressão: Shakespeare, Beethoven, Lincoln, Fernando Pessoa, Virgínia Woof, Hemingway, M.Monroe, Lady Di e outros.
É difícil obter-se números precisos sobre a doença, contudo estima-se que 5% da população mundial seria de pessoas depressivas. A depressão é a quarta doença mais comum entre a população geral segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, sendo duas vezes mais freqüente no sexo feminino. A depressão pode afetar pessoas de todas as faixas etárias e condições sócio-econômicas e culturais, sem distinção de raça ou credo. O suicídio é responsável por 15% das mortes de pessoas deprimidas. Ainda segundo a OMS, a depressão será a segunda moléstia que mais roubará anos de vida da população em 2020. Como ainda não surgiu nenhum tratamento preventivo, estima-se que a cada ano surgirão mais dois milhões de novos deprimidos clínicos por ano no mundo. No Brasil calcula-se que existam 10 milhões de sofredores patológicos.
A depressão é classificada como um transtorno do humor. Para tanto é preciso diferenciar a doença depressão da tristeza. Além dos critérios de sintomas que caracterizam a doença, é necessário que estes subsistam por mais três semanas; a depressão é muito mais profunda e resistente do que a tristeza. O psiquiatra Peter Whybrow, da UCLA, descreve a depressão com uma imagem: “imagine o desconforto de várias noites sem dormir misturado à dor da perda de um ente querido que não acaba nunca. Depressão é isso”.
A depressão é vista como uma doença de múltiplas causas. Em se considerando que a doença depressão é, também, denominada doença da alma, podemos entender que as causas estão diretamente relacionadas com o perfil psico-emocional do indivíduo. A alma, ou o Espírito, é que se apresenta doente. Em termos puramente psicológicos encontramos as raízes da depressão em comportamentos imaturos, no materialismo, nas perdas de qualquer natureza, nos ressentimentos e na culpa.
A imaturidade psicológica pode ser vista nos comportamentos de pessoas que se negam a crescer e a assumir responsabilidades. Tal comportamento foi descrito como sendo uma “Síndrome de Peter Pan”, onde o ser foge para um mundo ilusório a fim de não ter de arcar com as responsabilidades do dia-a-dia. A qualquer momento evita tomar decisões, tomar atitudes ou posturas resolutivas ante os problemas. A imaturidade psicológica reflete um espírito cristalizado em um padrão comportamental infantil, sonhador. Na hora em que as dores e as decepções da vida se anunciam, trazendo o sofrimento, estes indivíduos optam por tentar fugir à responsabilidade, desistindo da luta, passando a viver num mundo de sonhos que, aos poucos, vai se transformando em pesadelos.
O materialismo é um dos grandes males da humanidade. A falta de uma postura idealista e de valores morais e éticos torna o ser humano vazio. Num primeiro momento o homem busca evitar a sensação de vazio lançando-se compulsivamente à conquista de bens materiais. Somos nós, quando nos entregamos a um ritmo de vida ditado pela satisfação dos automatismos de natureza fisiológica, vivendo em função do luxo, do conforto e do prazer pelo prazer. Esquecendo-nos dos ideais que elevam a alma ao Criador ficamos vazios, vazios de amor, vazios de solidariedade, vazios de paz. No poço vazio das nossas almas a depressão verte o seu veneno enchendo os nossos Espíritos de dor e sofrimento.
O apego excessivo às coisas e às pessoas à nossa volta contribui para agravar os sintomas depressivos. Na Gênesis, capítulo 3, versículo 19, lemos que do pó viemos e ao pó retornaremos. Se auscultássemos a palavra divina e dirigíssemos a nossa vida por ela muitas dores poderiam ser evitadas. Mas à medida em que vamos saindo do berço para ocuparmos o nosso lugar na sociedade passamos a cultivar o TER, o desejo de possuir. Este apego ao sentimento de posse, tanto das coisas materiais como das pessoas, será causa das nossas mais terríveis dores. A incapacidade de lidarmos com as perdas que farão parte das nossas vidas pode se constituir num grande fator gerador da depressão.
A culpa e o ressentimento guardados em nossos corações destroem a possibilidade de sermos felizes. Todo sentimento de culpa é lixo inútil que carregamos ao longo da vida e que acaba sufocando a nós próprios e como tal não serve para nada. O ressentimento, além de ser lixo, é ainda mais perigoso do que a culpa, posto que este último é lixo tóxico. Ressentimento significa sentir novamente, ficar recordando. Tudo bem, se nós ficássemos a recordar ou a ressentir coisas boas, coisas alegres. Mas com freqüência esquecemos rapidamente de nossas alegrias para nos dedicarmos a relembrar e a ressentir as nossas dores. Em recordando um fato doloroso eu passo a sentir novamente a mesma dor que vivenciei no passado. O ressentimento, como tóxico que é, corroi nossas almas.
Se vimos as causas da depressão, é preciso que vejamos quais as suas conseqüências. A depressão pode ser extremamente devastadora para o doente e para todos aqueles que convivem com ele.
O depressivo compromete o seu sistema imunológico, tornando-se alvo fácil de outras doenças que, aproveitando a fragilidade do indivíduo, tomarão conta do corpo. A depressão pode ser a porta de entrada para muitas outras doenças físicas como as úlceras gástricas, problemas hepáticos ou intestinais (como por exemplo, a constipação crônica), problemas cardíacos, infecções, doenças degenerativas e até do câncer.
A depressão é uma das principais causas do suicídio, sendo este a mais terrível conseqüência. A Doutrina Espírita nos ensina que o suicídio, ao invés de ser a solução dos problemas que nos afligem, é causa de maiores dores e sofrimentos.
A depressão não fica restrita ao paciente depressivo, ela se estende por todos que compartilham do ambiente doméstico. Sendo assim, a depressão é um fator de desagregação familiar. O comportamento depressivo faz com que o ser se afaste das pessoas, torne-se relaxado com as obrigações em relação ao grupo, afaste-se do trabalho chegando por vezes ao abandono do mesmo o que acarreta novos e maiores problemas para o núcleo familiar.
Como então poderemos nos livrar da depressão? Qual é o tratamento ou tratamentos de que dispomos para nos livrarmos desse mal?
Os tratamentos para depressão são tão variados como as causas das doenças. É preciso que em primeiro lugar queiramos nos curar. Para tanto teremos que reconhecer e admitirmos que estamos doentes e que precisamos de ajuda. Esta tomada de consciência da nossa própria condição como doentes é o primeiro tratamento ao nosso alcance. Quando nos conscientizamos da nossa verdadeira condição criamos em nossos Espíritos as condições de cura. Renova-se a vontade de viver e a disposição para renovarmos atitudes e emoções. Passamos a redecorar a nossa casa interior, jogando fora os móveis velhos e adquirindo móveis novos.
O desejo de nos curarmos vai nos levar a buscar a medicina. Dentro dos seus limites e da sua capacidade, a medicina pode nos ajudar através de medicamentos que diminuem os sintomas. Mas remédio nenhum pode tocar nosso Espírito. Necessário se faz que busquemos o auxílio psicológico. Será somente através de nossa reforma íntima que poderemos alcançar a cura da depressão.
Comecemos por nos tornarmos emocionalmente maduros. Assumindo o compromisso de superar as emoções infantis, passando a termos o controle da nossa vida. Surgindo os problemas vamos encara-los de frente examinando-os com serenidade e lucidez, objetivando encontrar soluções possíveis e realistas frente às nossas possibilidades. O exercício da nossa maturidade emocional nos tornará fortes e seguros, confiantes e serenos.
Ao conquistarmos a nossa maturidade emocional, vamos precisar de novas metas na vida. É a hora de voltarmos os olhos para dentro de nós mesmos, buscando sentir os anseios mais nobres e elevados que dormem em nossas almas. Vamos em busca da nossa realização interior conquistando valores morais e éticos. Esta é a hora de nos voltarmos para o sentimento religioso e de retomarmos o diálogo com o Pai Criador.
Maduros e em comunhão com o Pai, vamos entender que as únicas coisas que realmente nos pertencem são os tesouros da alma. Seguindo as palavras de Jesus narradas por Mateus, cap. 6, vv. 19-21, não percamos tempo juntando tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões roubam. Busquemos SER e não TER. Desta maneira as perdas dos bens materiais e dos status social não nos afligirão, pois são riquezas que vieram da terra e a ela pertencem. A comunhão com o Pai vai nos fazer compreender que o Espírito é imortal e que o ente querido perdido será reencontrado em breve. Para aqueles que amam verdadeiramente não existe separação.
Agora, mais fortalecidos e renovados é o momento de nos livrarmos daqueles lixos velhos que pesam em nossas almas. Vamos passar a limpo os sentimentos de rancor, de mágoas e as culpas. Através do esquecimento vamos nos livrar dos ressentimentos, voltando a nossa atenção para o futuro e para todo o bem e felicidade que podemos construir em nossas vidas a partir de hoje, de agora. Livres de ressentir as dores velhas estamos prontos para o perdão que será como bálsamo divino a derramar-nos o coração e nos acalentando. Livre das culpas, aprenderemos a ver os erros que cometemos no passado como um ensinamento doloroso. Vamos aprender, então, que o erro foi formar mais útil e fácil ao nosso alcance para aprendermos como não devíamos fazer alguma coisa. Agora que aprendemos como não fazer, lancemo-nos novamente ao trabalho e à vida fazendo a coisa de maneira certa.
Mas, o melhor tratamento para a depressão é o conjunto de ensinos trazidos por Jesus. A mensagem evangélica que Jesus nos trouxe e que foi legada à humanidade pelos escritos que constituem o novo Evangelho é o mais poderoso e eficaz remédio para a cura da depressão. Através do perdão, do trabalho produtivo em benefício do próximo, da solidariedade e do amor poderemos alcançar a cura, não apenas da depressão, mas de todos os nossos males.

David Monducci
(extraído do jornal “O Semeador” de set/2000)

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