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sexta-feira, 4 de março de 2011

PESCARIA INESQUECÍVEL


(James P. Lenfestey)
Ele tinha onze anos e, cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais próximo ao chalé da família, numa ilha que ficava em meio a um lago.
A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas pai e filho saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada.
O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo, elas se tornaram prateadas pelo efeito da lua nascendo sobre o lago. Quando o caniço vergou, ele soube que havia algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração, enquanto o garoto habilmente, e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água.
Era o maior que já tinha visto, porém sua pesca só era permitida na temporada. O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para trás e para frente. O pai, então, acendeu um fósforo e olhou para o relógio. Eram dez da noite, faltavam apenas duas horas para a abertura da temporada. Em seguida, olhou para o peixe e depois para o menino, dizendo:
- Você tem que devolvê-lo, filho.
- Mas, papai, reclamou o menino.
- Vai aparecer outro, insistiu o pai.
- Não tão grande quanto este, choramingou a criança.
O garoto olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou embarcações à vista. Voltou novamente o olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto, sabia, pela firmeza em sua voz, que a decisão era inegociável. Devagar, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura. O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu. E, naquele momento, o menino teve certeza de que jamais veria um peixe tão grande quanto aquele.
Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, o garoto é um arquiteto bem-sucedido. O chalé continua lá, na ilha em meio ao lago, e ele leva seus filhos para pescar no mesmo cais.
Sua intuição estava correta. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite. Porém, sempre vê o mesmo peixe repetidamente todas as vezes que depara com uma questão ética. Porque, como o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo e errado.
Agir corretamente, quando se está sendo observado, é uma coisa. A ética, porém, está em agir corretamente quando ninguém está nos vendo.
Essa conduta reta só é possível quando, desde criança, aprendeu-se a devolver o PEIXE À ÁGUA.

texto - internet
imagem - anuncifacil.com.br

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A LIPOASPIRAÇÃO DO EGO


A denúncia da psicóloga brasileira Anna Verônica Mautner, autora de “Cotidiano nas Entrelinhas”, dá em que pensar: “Abandonamos a era do pecado e nos instalamos na era do insalubre. Hoje o que orienta o nosso
bem-estar são os ditames da medicina. Se ela diz que faz mal, então não pode. A saúde vence a ética, apoiando-se na estética.”

Precisamos admitir e confessar que a nossa preocupação hoje não é com o pecado, mas com o açúcar refinado, óleos saturados, agrotóxicos, cigarro, vida sedentária e assim vai.

Temos dado muito mais valor à estética do que à ética. Daí as 185 mil cirurgias plásticas feitas no país no ano passado (dois quartos delas foram lipoaspirações). Daí a enorme quantidade de tempo que gastamos nas academias de ginástica.

O que vale não é o interior, mas o exterior: as medidas das coxas, da cintura e do busto, o tamanho do nariz, a cor dos olhos, o bronzeamento da pele. Trocamos o caráter pela forma, a religião pela medicina, a eternidade pelo curto período de tempo espremido entre o nascimento e a morte.

Na corrida frenética atrás da beleza simplesmente física, fazemos de tudo. É até possível recorrer aos meios de graça para conseguir o que mais almejamos. É o caso daquela personagem do romance “O Olho Mais Azul”, da escritora americana Toni Morrison, Nobel de Literatura, que acreditava piamente na oração e suplicava todos os dias a Deus que fizesse o milagre de trocar os seus olhos por um belo par de olhos azuis. De fato, Pecola Breeldove, uma menina de 11 anos, não nascera bonita nem tinha orgulho de sua etnia, e queria por que queria os tais olhos azuis. O propósito da escritora é mostrar que “a beleza não é, e nem pode ser, encarada como virtude”.

As denúncias de Anna Verônica e de Toni Morrison precisam ser reforçadas por outra denúncia, proferida há quase dois milênios por Jesus Cristo: “Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. [...] Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo. Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade” (Mt 23.25-28).

O que Jesus quer dizer é que a verdade é mais importante que a mentira, a realidade é mais importante que a aparência, a sinceridade é mais importante que a hipocrisia, a beleza interior é mais importante que a beleza exterior, o caráter é mais importante que a forma, a ética é mais importante que a estética, a disciplina moral é mais importante que a disciplina
alimentar, o exercício devocional é mais importante que o exercício físico, a lipoaspiração do ego é muito mais importante que a lipoaspiração da gordura subcutânea.

Se a ética não voltar a ser mais importante que a estética, cada vez seremos mais bonitos por fora e mais selvagens por dentro, invertendo a ordem certa e perdendo a chance da verdadeira felicidade.


Fonte: Revista Ultimato



texto - internet
imagem - espiritualidadebasica.blogspot.com

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