quarta-feira, 23 de março de 2016

MALEDICÊNCIA: UMA DOENÇA DE PATOS



Elisabeth decidiu vir ao mundo a passeio. Logicamente antes de voltar para a matéria, lutou bravamente contra essa tendência, mas apesar do esforço inicial, ainda na infância, sucumbiu ao marasmo que lhe puxava. Ninguém pode negar, “dá muito trabalho querer ser um cisne”. Ah sim, foi isso que ela disse quando a mãe lhe contou a história do “Patinho Feio” pela primeira vez. A mãe ficou preocupada achando que a filha poderia ter algum atraso cognitivo por não ter compreendido a história, mas na verdade mal sabia ela que aquele corpinho pequeno e gordinho de criança escondia uma alma muito vivida nesse assunto. Elisabeth sabia do que estava dizendo, ser diferente, seguir por caminhos próprios, avançar nas próprias dificuldades, evoluir dá muito trabalho. Ela, porém, mesmo estando parcialmente correta em seus pensamentos não abria sua percepção para outros ensinamentos que a história trazia: apesar dos momentos de tristeza, do esforço, do medo, o patinho que se descobriu cisne teve grandes conquistas, sua trajetória valeu a pena e o desfecho feliz traz uma clara metáfora da plenitude que tanto almejamos.
                     Com a visão estreita, Elisabeth preferiu permanecer pato mesmo, fazendo tudo para ser igual à maioria, de preferência aquilo que desse menos trabalho. Profissão, relacionamento, filhos, religião, pensamentos, roupas, viagem, tudo tinha que ser absolutamente normal. Se as vizinhas comentavam e riam sobre o programa de televisão, Elisabeth ria também. Se o grupo de oração criticava o mesmo programa, Elisabeth criticava também. “-Para que fazer coisas diferentes na vida e arrumar sarna para se coçar? Para mim o que importa é minha família e o resto agente vai levando.”
                     Essa filosofia de vida, na verdade camuflava, um medo terrível que ela tinha, desses que se escondem direitinho dentro da gente, de ser excluída, ridicularizada, fofocada. Por essa razão, como se fosse uma massinha, se moldava nos padrões de cada grupo em que estava, tudo para não ser descoberta, quer dizer para não descobrir-se, perceber quem realmente era. Quando chegou aos cinqüenta anos, carregava consigo uma biografia escrita por suas próprias mãos, apesar da sensação de nunca ter escolhido o que queria, como se fosse possível alguém viver uma história que não lhe pertencia. O cisne, essa força pungente evolutiva, agora gritava em seu peito em forma de variados sintomas, não queria mais esperar nenhum segundo para ser revelado.
                      Mas Elisabeth, mesmo sofrendo com a dor de “permane- SER” pato, não queria pagar o preço de tamanha mudança. “- O que vão dizer de mim se eu fizer isso ou aquilo? Logo eu uma mulher tão distinta!” A resistência de deixar o conforto do conhecido, trouxe a doença de insistir no que já está velho, embolorado. Ela fantasiava a angústia de ter que mudar as aparências, sem preocupar-se em mudar primeiro a essência.
                     E assim empacada em suas limitações, mesmo sem perceber, Elisabeth para lidar com tamanho desconforto, começou a vomitar essa pressão que a fazia sentir-se tão pequena, inferiorizada. Cega diante de suas necessidades, passou a criticar ferozmente quem saísse dos seus padrões. Diante de frustrações, nunca assumia a responsabilidade de seus atos. Elisabeth tornou-se extremamente maledicente e em pouco tempo, no fundo sentia que ninguém mais prestava no seu conceito. Agora era ela a pata a bicar os diferentes, assumiu o papel do algoz que tanto temia encontrar nos outros, tornava-se agressiva diante daquilo que a incomodava e não media as conseqüências das suas palavras. Elisabeth maldizia como se assim pudesse excluir quem a fazia lembrar das diferenças, dos desejos, dos sonhos, dos preconceitos, da arrogância que co-habitava nela.
                      A maledicência é uma doença de patos, por isso não basta querer parar de maldizer a vida alheia, há que se buscar a conquista do ser pleno.
                     Elisabeth segue maldizendo por aí, mas como a vida é tão linda, não tardará o momento em que ela irá se deparar com a própria imagem no espelho amoroso da transformação pessoal.

Um abraço,
Bia Molica

Ps: Você poderá gostar do livro: "O vôo do cisne: a revolução dos diferentes" de José Luiz Tejon Megido, editora Gente. Uma leitura simples, mas que faz refletir.



Imagem - www.osmais.com

segunda-feira, 21 de março de 2016

VÍTIMAS DE NÓS MESMOS


“Quantas pessoas do nosso convívio conseguem nos tirar do sério? Quantas pessoas que conhecemos, conseguem
nos fazer perder a paciência? Frequentemente, usamos dessas expressões para justificar nossa descompostura ou
desequilíbrio, ao culpar fulano ou beltrano.
Agora, nos resta perguntar por que alguém consegue fazer-nos perder a paciência, ou por que alguém é capaz de provocar uma mudança em nossa atitude?

E esses nossos descontroles cotidianos acontecem em qualquer ambiente. Algumas vezes na família, outras tantas no trabalho. Ou, ainda, nas corriqueiras relações sociais. E sempre estamos a justificar que a culpa é de
alguém. Sempre estamos prontos a explicar que se não fosse essa ou aquela pessoa agir desta ou daquela forma, nada disso aconteceria.

Colocamos a culpa do descontrole em alguém, em algo e, ao nos tornarmos vítimas da situação, nada nos resta a fazer, pois afinal, o problema está nos outros e não em nós. Mas, será que somos apenas reféns das situações, e
realmente nada podemos fazer a não ser reagir a elas?

Lembremo-nos da última contenda, da última discussão na qual nos envolvemos. Nada poderíamos ter feito para evitá-la? Nada estava ao nosso alcance para que a situação fosse minimizada? Recordemo-nos do nosso último 
desentendimento familiar. Será que a maneira como agimos e nos comportamos realmente era a única possível?

Ao fazermos essa breve análise, claro fica que poderíamos ter tido outras atitudes. Poderíamos nos
calar em algum momento, ao invés de soltar a palavra ácida e corrosiva. Poderíamos buscar o entendimento
ao invés da provocação. Poderíamos suavizar o tom de voz ao invés dos arroubos no falar.

Porém, se optamos por agir de outras maneiras, não foi culpa de ninguém, nem de situação nenhuma. Foi apenas uma opção pessoal. Poderíamos ter pensado antes de falar, refletido antes de agir, mas preferimos a reação à ação. Enquanto a reação é irrefletida e calca-se nos   instintos, a ação é uma atitude pensada e amadurecida na reflexão.
Desta forma, ao dizer que perdemos a paciência, ao constatar que saímos do sério, somos responsáveis por essas atitudes. E, apenas vítimas de nós mesmos.
Jamais poderemos justificar que alguém nos faz perder a paciência. Ao contrário, somos nós que não temos a paciência suficiente para a situação que se apresenta.
Ou, ainda, de maneira nenhuma poderemos acreditar que algo ou alguém nos faz sair do sério, nos faz perder a compostura.

A atitude tomada é sempre uma opção de cada um que, perante tal ou qual situação, não consegue ou não quer comportar-se de maneira mais digna ou melhor. Assim, não
mais nos permitamos ser vítima de nossas próprias  atitudes ou reações.

Reflitamos antes do agir, pensemos mais detidamente antes de falar e, acima de tudo, compreendamos que todas as nossas relações sociais, por mais difíceis que nos pareçam, são lições abençoadas no aprendizado do amor ao próximo.”
                
              Redação do "Momento Espírita"


imagem - www.velhosabio com.br

quinta-feira, 17 de março de 2016

NAS PROFUNDEZAS


O que te contraria revela o ponto frágil de tua personalidade.
O que te irrita coloca à mostra o teu orgulho sob disfarce.
O que te melindra traz à tona o sentimento que vive em tuas profundezas.
O que consegue te provocar denuncia as imperfeições que dissimulas.
O que te desequilibra diagnostica o teu grau de intemperança.
O que te deprime te ensina sobre o que concentrar teu esforço de superação.
O que te incomoda é o que te faz reagir contra a mesmice e a indiferença.

Quase sempre, o homem se assemelha às águas aparentemente tranquilas e cristalinas de um lago, bastando, porém, que algo lhe revolva as entranhas para que elas se turvem, indicando quanto carecem ainda purificar-se.

Livro:  Pai, Perdoa-lhes
Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Irmão José
LEEPP – Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo


imagem - poemass.wordpress.com

segunda-feira, 14 de março de 2016

DIÁLOGO ZEN


(Discípulo) Mestre, acabei de ler sobre uma pesquisa que fizeram no Ocidente - Perguntaram o que as pessoas tem de indispensável para o seu dia a dia, e a maioria respondeu que era o seu celular!
(Mestre) Que curioso...
(D.) Um absurdo, todo esse materialismo...
(M.) Mas o que deveria ser indispensável em sua vida?
(D.) Ora, penso que meus amigos, minha família, minha mulher...
(M.) Mas como? As pessoas não nos pertencem... Essa resposta não nos serve.
O discípulo pensou por um longo momento e acrescentou:
(D.) Muito bem, agora entendi: tudo o que temos é a sabedoria! Ela sim é indispensável.
(M.) Concordo... Mas me diga: como saberemos com certeza se temos mesmo alguma sabedoria?
(D.) Ora, pela opinião dos outros, mestre - Eu mesmo afirmo: você é um sábio!
(M.) Fico imensamente grato... Mas, e se estiver enganado? Outros podem aparecer por aqui e afirmar exatamente o oposto: que sou apenas algum louco... Ou pior, um charlatão...
(D.) Mas mestre, todos que conviverem um dia que seja contigo hão de concordar que é mesmo um sábio...
(M.) Como?
(D.) Ora, porque passarão a amá-lo como todos os outros discípulos tem lhe amado.
Será que primeiramente não amariam o saber?
(M.) Mas... Amar assim tão depressa? Será que primeiramente não amariam o saber?
O discípulo acenou com a cabeça, concordando.
(M.) Então, não seria esse amor ao saber o que inicia todo esse caminho espiritual que temos percorrido juntos?
(D.) Sim mestre! Agora percebo que foi assim: primeiro me interessei por seu conhecimento, e só após nosso convívio foi que passei a amá-lo como a um pai...
(M.) E já que agora somos tão amigos, será que quando viajamos para longe um do outro o telefone não passa a ser indispensável para mantermos contato?
(D.) Bem, pode ser... Mas o telefone é apenas um objeto material...
(M.) Meu amigo, o problema não é o objeto, mas o uso que fazemos dele... De fato, não temos um telefone, não temos nossa casa e nem mesmo nossa roupa, o que temos é essa vontade tão antiga de nos conectarmos um ao outro - Eis o indispensável em nossa vida.

raph'11 (em homenagem ao blog de Aoi Kuwan: Magia Oriental)

sábado, 12 de março de 2016

FÉ, ESPERANÇA E AMOR

 
Um dia, a FÉ, a ESPERANÇA e o AMOR saíram pelo mundo para ajudar os aflitos. Quem das três, seria capaz de realizar o melhor trabalho para a glória de Deus?
À beira da estrada da vida, encontraram um homem pobre que sofria com uma doença que o deixou paralítico desde nascença. Mendigava às almas caridosas a fim de sobreviver. Diante daquela situação, a FÉ tomou a frente da Esperança e do Amor para resolver o caso. Disse:
-Esperem aqui, vou realizar minha obra na vida
daquele infeliz e tirá-lo daquela situação.
A FÉ trouxe ao homem a palavra de Deus e assim ela foi reproduzida no coração dele. Imediatamente aquele homem se rebelou contra aquela situação e usou a FÉ que tinha no coração para determinar
sua cura e, no momento em que orava, seus ossos
se juntaram e tornaram-se firmes.
Finalmente, ficou de pé e saltou de alegria.
Não precisava ficar mais à beira da estrada
para mendigar e muito menos padecer todas
as dores de antes.
Passadas algumas horas, o homem não tinha para onde ir. Nem casa, nem profissão, que lhe desse condições de se estabelecer na vida.
Neste momento a ESPERANÇA sentiu que era chegada a sua vez de trabalhar. Ela o levou para o alto da montanha e fez com que ele visse os férteis campos da terra. Desta maneira, foi mudando o seu coração e o homem entendeu que podia prosperar.
Movido pela força da ESPERANÇA, ele se pôs a caminho. Logo conseguiu um emprego, em uma fazenda próxima, e rapidamente aprendeu a cultivar a terra. Em pouco tempo, tinha juntado o suficiente para comprar seu próprio campo.
Com FÉ e ESPERANÇA, renovava suas forças a cada dia e, em poucos anos, expandiu grandemente seus negócios. Suas colheitas eram exportadas em navio, alcançando portos de todo o mundo.
Ele tinha muitos empregados e se tornou o homem mais rico da terra. A FÉ e a ESPERANÇA estavam satisfeitas com o maravilhoso trabalho que haviam produzido na vida daquele homem.
Então disseram ao AMOR:
- Não te preocupes em realizar tua obra. Vês que, juntas, mudamos completamente a vida deste homem, fazendo-o forte e próspero.
Assim, o Amor partiu em busca de alguém a quem pudesse ajudar. O império daquele homem se expandia por todo o lado, de forma que eram tantas as casas que muitas delas nem sequer conhecia.
Viajou o mundo inteiro e nada mais havia que o surpreendesse. Mas, com o passar do tempo,
o homem foi ficando triste e enfastiado.
- Tenho tudo que um homem possa desejar
- dizia ele - mas ainda me sinto vazio.
A FÉ e a ESPERANÇA conversavam o que podiam fazer para torná-lo forte como antes? Ele agora não precisava do milagre da cura nem da Esperança para crer no sucesso do seu futuro, pois era muito rico.
Então, as duas foram correndo em busca do AMOR , para lhe pedir ajuda.
O AMOR voltou com elas e realizou sua obra no
coração daquele homem.
Ao sentir AMOR , ele passou a entender Deus e a sua mais extraordinária obra. Surgiu a necessidade de ajudar outros com os mesmos problemas que os seus. A FÉ e a ESPERANÇA entenderam que, embora suas obras tivessem sido de grandeza extraordinária, com o passar do tempo, sem AMOR , tudo perdia o sentido.
A FÉ é rápida.... a ESPERANÇA permanece por mais tempo, mas o AMOR ... não acaba nunca!!!
QUE O AMOR ESTEJA SEMPRE EM NOSSOS CORAÇÕES!!!!



imagem - pt.slideshare.net

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